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filosofia da mente

Filosofia da mente

Filosofia da mente é o estudo filosófico dos fenômenos psicológicos, incluindo investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral. A filosofia da mente envolve estudos metafísicos sobre o modo de ser da mente, sobre a natureza dos estados mentais e sobre a consciência. Envolve estudos epistemológicos sobre o modo como a mente conhece a si mesma e sobre a relação entre os estados mentais e os estados de coisa que eles representam (intencionalidade), incluindo estudos sobre a percepção e outros modos de aquisição de informação, como a memória, o testemunho (fundamental para a aquisição da linguagem) e a introspecção. Envolve ainda a investigação de questões éticas como a questão da liberdade.

A investigação filosófica sobre a mente não implica nem pressupõe que exista alguma entidade—uma alma ou espírito—separada ou distinta do corpo ou do cérebro, e está relacionada a vários estudos da ciência cognitiva, da neurociência, da lingüística e da inteligência artificial.

Behaviorismo 

O Behaviorismo foi predominante nos estudos sobre a Filosofia da Mente em grande parte da primeira metade do século XX. Na Psicologia, o Behaviorismo surgiu como reação aos problemas da Introspecção: quando alguém, baseado na introspecção, fala sobre a vida no interior de sua mente, torna-se impossível a verificação da asserção. Entretanto, sem a verificabilidade universal nenhuma ciência é possível, de acordo com os Behavioristas. A saída para a Psicologia: ela deveria renunciar à vida mental e à introspecção e, ao invés disso, descrever o comportamento. Junto a esta abordagem científica, fala-se, também, de Behaviorismo Metodológico. Seu principal defensor foi B. F. Skinner.

 

Paralelamente aos desenvolvimentos deste tipo de Psicologia, desenvolveu-se um Behaviorismo Filosófico, ocasionalmente denominado, também, como Behaviorismo “Lógico” ou “Analítico”. A abordagem do Behaviorismo Filosófico é fisicalista: estados mentais são descrições de comportamento, isto é, disposições. Um dos principais defensores desta posição dentro da Filosofia da Mente foi o filósofo britânico Gilbert Ryle, do qual o clássico The Concept of Mind, publicado em 1949, desenvolveu um Behaviorismo apoiado em Ludwig Wittgenstein e influenciou o debate filosófico posterior durante décadas. Outra figura fundadora do Behaviorismo Filosófico é Carl Hempel, que em sua obra The Logical Analysis of Psychology foi fortemente marcado pelos trabalhos de Rudolf Carnap.

Atualmente, o Behaviorismo Filosófico é considerado bastante ultrapassado[2][3][4][5][6][7][8][9][10][11][12][13][14][15][16][17][18][19][20], tanto em seus desenvolvimentos metodológicos como também filosóficos. Foram levantados, entre outros, os seguintes argumentos contra a teoria:

  • Hilary Putnam projetou o experimento do pensamento de um “super-estoico”, que não apresenta comportamento de dor identificável em todas as sensações de dor concebíveis. O fato de que isso é imaginável comprova, de acordo com Putnam, que dores são mais do que a mera disposição ao comportamento de dor.[21]

  • O Behaviorismo não pode fornecer nenhum modelo de explicação para o pensamento racional. Primeiro, uma pessoa pensa que hoje seria terça, e, depois, que o treino no clube esportivo ocorreria nas terças-feiras, a partir disso ela vai concluir que o treino de hoje ocorre no clube. Uma grande parte do cotidiano e do comportamento das pessoas é determinada através destes tipos de relações, que não podem ser esclarecidas através do Behaviorismo Filosófico.

  • Alguns estados mentais relacionam-se, a muito custo, com disposições de comportamento. Assim, é inaceitável afirmar que uma pessoa fala sobre disposição de comportamento quando ela se refere a dores de cabeça agudas.

  • A relação entre determinadas disposições de comportamento e determinados estados mentais fictícios não é, de modo algum, clara ou inequívoca. Quando uma pessoa “acredita”, que um determinado comportamento poderia aliviar sua dor, ela vai manifestar este comportamento quando tiver dor. Nesse caso, também podem ocorrer formas de comportamento absurdas como o recitar de uma fórmula mágica “curadora”.

  • Deve-se considerar, também, que o Behaviorismo Metodológico - mencionado acima -, transformado com o Behaviorismo Filosófico, renunciou à descrição de estados mentais, uma vez que estes não se deixam observar (e, por conseguinte, verificar) diretamente. Este argumento serviria, no entanto, para outros objetos de pesquisa das ciências naturais, como, por exemplo, os átomos ou o homem da Idade da Pedra.

Correntes
 

Algumas correntes na filosofia da mente:

filosofa da ciencia

Filosofia da ciência

Filosofia da ciência (do grego Φιλοσοφία της Επιστήμης/Filosofía tes Epistémes) é o campo da pesquisa filosófica que estuda os fundamentos, pressupostos e implicações filosóficas da ciência, incluindo as ciências naturais como física e biologia, e as ciências sociais, como psicologia e economia. Neste sentido, a filosofia da ciência está intimamente relacionada à epistemologia e à ontologia. Mais do que tentar explicar, tenta problematizar os seguintes aspectos:

  • a natureza das afirmações e conceitos científicos,

  • a forma como são produzidos,

  • os meios para determinar a validade da informação,

  • como a ciência explica, prediz e, através da tecnologia, domina a natureza,

  • a formulação e uso do método científico,

  • os tipos de argumentos usados para chegar a conclusões,

  • as implicações dos métodos e modelos científicos para a sociedade e para as próprias ciências.

Uma visão é que todas as ciências possuem uma filosofia subjacente independente do que se afirme ao contrário:

Não há tal coisa como ciência livre de filosofia; há apenas ciência cuja bagagem filosófica é tomada a bordos sem examinação —Daniel DennettDarwin's Dangerous Idea, 1995.

Natureza das afirmações e conceitos científicos

A ciência tira conclusões sobre o modo que o mundo é, e o modo que a teoria científica se relaciona a esse mundo.Tira-as por meio de evidências de experimentação, dedução lógica, e pensamento racional a fim de examinar o mundo e os indivíduos que existem dentro da sociedade. Em fazer observações dos indivíduos e seus arredores, a ciência procura explicar os conceitos que estão envolvidos com a vida diária.

Empirismo

Um conceito central em filosofia da ciência é o empirismo, ou dependência da evidência. Empirismo é a visão de que o conhecimento deriva da experiência do mundo. Nesse sentido, afirmações são sujeitas e derivadas de nossas experiências ou observações. Hipóteses científicas são desenvolvidas e testadas através de métodos empíricos consistindo de observações e experimentos. Uma vez reproduzidos o bastante, a informação resultante conta como evidência sobre as quais a comunidade científica desenvolve teorias que se propõem a explicar fatos sobre o mundo.

Observações envolvem percepção, e então se tem os actos cognitivos propriamente ditos. Isto é, observações não são por si só enquadradas em nossa compreensão de como o mundo funciona; conforme esta compreensão mude, as observações por elas mesmas podem aparentemente mudar.

Os cientistas tentam usar a indução, a dedução e os métodos quase-empíricos e invocar metáforas conceituais chaves para trabalhar as observações em uma estrutura coerente e autoconsistente.

Realismo científico e instrumentalismo

realismo científico, ou empirismo ingênuo, é a visão de que o universo é explicado da forma que realmente é pelas afirmações científicas. Realistas defendem que coisas como elétrons e campos magnéticos realmente existem. É ingênuo no sentido de tomar modelos científicos como sendo a verdade.

Em contraste ao realismo, o instrumentalismo defende que as nossas percepções, ideias e teorias científicas não necessariamente refletem o mundo real com precisão, mas são instrumentos úteis para explicar, predizer e controlar nossas experiências. Para um instrumentalista elétrons e campos magnéticos podem ou não podem existir de fato. Para os instrumentalistas, o método empírico é usado para fazer não mais do que mostrar que teorias são consistentes com observações. O instrumentalismo é grandemente baseado na filosofia de John Dewey como também Pierre Duheme, de um modo mais geral, o pragmatismo, o qual foi influenciado por filósofos como Willian James e Charles Sanders Peirce.

Construtivismo social

Uma área de interesse entre historiadores, filósofos, e sociólogos da ciência é a extensão na qual teorias científicas são moldadas por seus contextos políticos e sociais. Esse conceito é usualmente conhecido construtivismo social. O construtivismo social é em um sentido uma extensão do instrumentalismo que incorpora os aspectos sociais da ciência. Em sua forma mais forte, vê a ciência como um mero discurso entre cientistas, com o fato objetivo desempenhando pouco papel, se desempenhar algum. Uma forma mais fraca da posição construtivista pode defender que fatores sociais desempenham um grande papel na aceitação de novas teorias científicas.

Do lado mais forte, a existência do planeta Marte é irrelevante, desde que tudo o que realmente temos são observaçõesteorias e mitos, os quais são por si só construídos por interação social. Deste lado, as afirmações científicas são a respeito de uma sobre a outra, e o teste empírico é não mais que algo para verificar a consistência entre diferentes conjuntos de teorias sociologicamente construídas. Esse lado rejeita o realismo. Torna-se difícil, então, explicar como a ciência se difere de qualquer outra disciplina; igualmente, contudo, torna-se difícil dar um parecer do extraordinário sucesso da ciência em produzir tecnologia aplicável.

Do lado mais fraco, pode-se dizer que o planeta Marte tem uma existência real, separada e distinta de nossas observações, teorias e mitos a respeito. Porém as teorias e observações são socialmente construídas, parte do processo de construção envolve assegurar a correspondência de algum tipo com essa realidade. Deste lado, as afirmações científicas são sobre o mundo real. A questão crucial para esse lado é em explicar essa correspondência. Qual era sua maneira a justificação da reivindicação de que as fotos da última leva são em algum sentido mais reais do que o mito romano sobre Marte? É importante, então, para os Construtivistas Sociais considerar como afirmações científicas são justificadas.

Análise e reducionismo

Análise é a atividade de quebrar uma observação ou teoria em conceitos mais simples a fim de compreendê-los. A análise é tão essencial para a ciência quanto para todos os empreendimentos racionais. Seria impossível, por exemplo, descrever matematicamente o movimento de um projétil sem separar a força da gravidade, o ângulo de projeção e a velocidade inicial. Apenas depois dessa análise é possível formular uma teoria do movimento adequada.

Reducionismo em ciência pode ter vários diferentes sentidos. Um tipo de reducionismo é a crença que todos os campos de estudo estão em última instância sujeitos a explicação científica. Talvez um evento histórico possa ser explicado em termos sociológicos e psicológicos, os quais por suas vezes poderiam ser descritos em termos de psicologia humana, a qual por sua vez poderia ser descrita em termos de química e física. O evento histórico foi reduzido a um evento físico. Isso poderia ser visto como implicação de que o evento histórico não é nada porém evento físico, negando a existência de um fenômeno emergente.

Daniel Dennett inventou o termo greedy reductionism (reducionismo ganancioso) para descrever o pressuposto de que tal reducionismo era possível. Ele afirma que é apenas "má ciência", buscar encontrar explicações que são apelativas ou eloqüentes, mais do que aquelas que estão em uso em predizer um fenômeno natural.

Argumentos feitos contra o reducionismo ganancioso através de referência ao fenômeno emergente confiam no fato de que em sistemas auto-referenciais pode-se dizer conter mais informação do que pode ser descrita por meio de análise individual de suas partes componentes. Exemplos incluem componentes que contêm loops estranhos, organização fractalatratores estranhos em espaço de fase. Análise de tais sistemas é necessariamente destruidora de informações porque o observador tem de selecionar uma amostra do sistema que possa ser na melhor das hipóteses parcialmente representativa. A teoria da informação pode ser usada para calcular a magnitude de informação perdida e é uma das técnicas aplicadas pela teoria do caos.

A justificação de afirmações científicas

As mais poderosas afirmações em ciência são aquelas com as mais amplas aplicabilidades, A terceira lei de Newton — "para cada ação há uma reação igual e em sentido contrário" — é uma afirmação poderosa porque se aplica a cada ação, em qualquer lugar, e em qualquer tempo.

Porém não é possível para os cientistas ter testado cada incidência de uma ação, e encontrar uma reação. Como é, então, que eles podem afirmar que a Terceira Lei é em algum sentido verdadeira? Eles têm, é claro, testado muitas, muitas ações, e em cada uma foram capazes de encontrar a reação correspondente. Mas poderemos ter certeza que da próxima vez que testarmos a Terceira Lei, ela se confirmará?

Indução

Uma solução para esse problema está em confiar na noção de indução. O raciocínio indutivo mantém que se uma situação se sustenta em todos os casos observados, então a situação se sustenta em todos os casos. Então depois de completar uma série de experimentos que suportam a Terceira Lei, está justificado manter que a lei se sustente em todos os casos.

Explicar o porquê de a indução comumente funciona tem sido um tanto problemático. Não se pode usar dedução, o processo usual de se mover logicamente de premissa à conclusão, porque não há um simples silogismo que permite tal movimento. Não importa quantas vezes os biólogos do século XVII observaram cisnes brancos, e em quantas diferentes localizações, não há nenhuma via dedutiva que leve à conclusão de que todos os cisnes são brancos. Isto é assim também, desde que a conclusão teria sido errada, como se tornou mais tarde. Similarmente, é ao menos possível que uma observação será feita amanhã que mostre uma ocasião em que uma ação não é acompanhada por uma reação; o mesmo é verdade para qualquer lei científica.

Uma resposta tem tido de conceber uma forma diferente de argumento racional, uma que não confie em dedução. A dedução permite alguém a formular uma verdade específica de uma verdade geral: todos os corvos são pretos; isto é um corvo; então é preto. A indução meramente permite alguém a formular a probabilidade da verdade de uma série de observações específicas: isto é um corvo e é preto; isto é um corvo e é preto; então a nossa amostra de corvos demonstram que corvos são pretos;

problema da indução é um dos consideráveis debates e de importância na filosofia da ciência: a indução é certamente justificada, e se for, como?

Falseabilidade

A outra forma de usar lógica para justificar afirmações científicas, pela primeira vez formalmente discutida por Karl Popper, é a Falseabilidade. Esse princípio afirma que a fim de ser útil (ou mesmo completamente científica), uma afirmação científica ("fato", teoria, "lei", princípio, etc.) tem de ser falseável, isto é, capaz de ser provada como errada. Sem essa propriedade, seria difícil (se não impossível) testar a afirmação científica contra a evidência. A meta da falsificação é reintroduzir o raciocínio dedutivo dentro do debate. Não é possível deduzir uma afirmação geral de uma série de afirmações específicas, mas é possível para uma afirmação específica provar que uma afirmação geral é falsa. Encontrar um cisne negro pode ser suficiente para mostrar que a afirmação geral de que "todos os cisnes são brancos" é falsa.

A falseabilidade ordenadamente escapa do problema da indução, porque ela não faz uso do raciocínio indutivo. Contudo, ela introduz suas próprias dificuldades. Quando uma aparente falsificação ocorre, é sempre possível inserir uma adição a uma teoria que a fará desfalsificada. Então, por exemplo, ornitologistas poderiam simplesmente ter argumentado que o grande pássaro preto encontrado na Austrália não era um membro do gênero Cygnus, mas de algum outro, ou talvez algum novo.

O problema com o falsificacionismo é que há teorias científicas que não são conclusivamente falsificáveis. Isto é, é sempre possível adicionar hipóteses ad hoc a uma teoria para salvá-la da falsificação. Um julgamento de valor está então envolvido na rejeição de qualquer teoria.

Coerentismo

Ambas indução e falsificação tentam justificar afirmações científicas por referência a outras afirmações científicas. Ambas tentam evitar o problema do critério, no qual qualquer justificação precisa ser por sua vez justificada, resultando em uma regressão infinita. O argumento da regressão tem sido usado para justificar um modo de sair da regressão infinita, o fundamentalismo(Fundacionismo).

De acordo com ERNEST SOSA, in Routledge Encyclopedia of Philosophy, Version 1.0, London: Routledge, alguns fundacionistas podem até ser racionalistas, outros empiristas, mas todos defendem um ponto comum: a existência de crenças especiais, certas e que, de algum modo, não necessitariam de justificação fornecida por crenças anteriores, interrompendo assim o eterno regresso.

O modo no qual afirmações básicas são derivadas da observação complica o problema. A observação é um ato cognitivo; isto é, está a cargo de nossa compreensão existente, nosso conjunto de crenças. Uma observação de um trânsito de Vênus requer uma ampla extensão de crenças auxiliares, como aquelas que descrevem a ótica dos telescópios, a mecânica da montagem dos telescópios, e um entendimento de mecânica celeste. Ao primeiro sinal, a observação não parece ser "básica".

coerentismo oferece uma alternativa por afirmar que por serem partes de um sistema coerente. No caso da ciência, o sistema usualmente tomado como sendo o conjunto completo de crenças de um indivíduo ou da comunidade de cientistas. W. V. Quine argumentou por um conceito coerentista para ciência. Uma observação do trânsito de Vênus é justificada por ser coerente com nossas crenças sobre ótica, montagem de telescópios e mecânica celeste. Onde esta observação está nas probabilidades de que uma dessas crenças auxiliares será requeridas para remover a contradição.

A Navalha de Occam

navalha de Occam é outra notável lapidadora na filosofia da ciência. William of Ockham (Ockhegm, Occam, ou outras muitas grafias) sugeriu que a mais simples contabilização do fenômeno é para ser preferida. Ela não sugere que ela poderia ser verdade, ou ainda provável de ser verdade, embora "mais simples" tenha muitas vezes se tornado mais provável de estar certo (em entender a natureza do evento depois que ele aconteceu) do que "mais complexo".

A Navalha de Occam tem sido frequentemente usada como regra de eliminação para escolher dentre hipóteses igualmente explanatórias (isto é, teorias) sobre um ou mais fenômenos observados.

Porque, geralmente para cada teoria existem um infinito número de variações que são igualmente consistentes com a informação atual, mas predizem diferentes desenrolares em algumas circunstâncias, a Navalha de Occam está implícita em cada instância da pesquisa científica. Como um exemplo, considere a famosa teoria de Newton "para toda a ação há uma reação igual e em sentido contrário".

 

Uma teoria alternativa poderia dizer que "para toda a ação há uma reação igual e em sentido contrário, exceto em 12 de janeiro de 2055 quando a reação terá metade da intensidade". Isso é virtualmente uma adição absurda, viola o princípio da Navalha de Occam principalmente porque é uma adição gratuita, junto com uma infinidade de outras teorias alternativas. Com certeza sem uma regra como a Navalha de Occam jamais haveria alguma justificação filosófica ou prática para os cientistas avançarem qualquer teoria além de suas infinitas competidoras, e a ciência não teria poder preditivo algum.

Além de a Navalha de Occam ser largamente, e filosoficamente compreensível, regra de seleção extra-evidencial usada, existem agora novos conceitos matemáticos similares baseados na teoria da informação que equilibram o poder explanatório com a simplicidade. Tal como a inferência da mínima extensão da mensagem.

A Navalha de Occam é freqüentemente abusada e citada onde é inaplicável. Ela não diz que a contabilização mais simples é para ser preferida apesar de sua incapacidade de explicar resultados anômalos, exceções, ou outros fenômenos em questão. O princípio da falsificabilidade requer que alguma exceção que possa ser reproduzida de forma confiável deveria invalidar a teoria mais simples, e a próxima contabilização mais simples que pode na verdade incorporar a exceção como parte da teoria deveria então ser aceita primeiro.

 

Contabilidade social

Infalibilidade científica

Uma questão crítica em ciência é, até que grau o atual corpo do conhecimento científico pode ser tomado como indicador do que é realmente "verdade" a respeito do mundo físico em que vivemos. A aceitação do conhecimento como se ele fosse absolutamente "verdadeiro" e inquestionável (no sentido da teologia ou a ideologia) é chamada cientificismo.

Entretanto, é comum para os membros do público geral terem a visão oposta de ciência — muitas pessoas leigas acreditam que os cientistas estão fazendo afirmações infalíveis. A ciência serve no processo de tomada de decisões por consenso por pessoas de diversos pontos de vistas éticos e morais vêm para concordarem. Em sociedades seculares e tecnológicas, sem qualquer concepção mais forte de realidade baseados em quaisquer outros terrenos religiosos ou morais, a ciência vem a servir como uma árbitra primária em disputas. Isso pode levar ao abuso do diálogo científico para fins políticos ou comerciais. No entanto, a metodologia científica é hoje a melhor forma de se conhecer e de averiguar a realidade.

Interesse a respeito da grande disparidade entre como cientistas trabalham, e de como seus trabalhos são percebidos levou a campanhas públicas a educarem as pessoas leigas sobre ceticismo científico e o método científico;

Críticas da ciência

Paul Feyerabend argumentou que nenhuma descrição de método científico pode ser abrangente o bastante para incorporar todos os conceitos e métodos usados pelos cientistas. Feyerabend objetou ao método científico prescritivo nos campos que tal método poderia sufocar e barrar o progresso científico. Feyerabend afirmou: "o único princípio que não inibe o progresso é: tudo vale (anything goes)".

filosofia da religiao

Filosofia da Religião

A filosofia da religião é uma das divisões da filosofia. Tem por objetivo o estudo da dimensão espiritual do homem desde uma perspectiva filosófica (metafísicaantropológica e ética), indagando e pesquisando sobre a essência do fenômeno religioso. Em síntese, sua pergunta fundamental é: "O que é a religião?".[1]

Métodos​

Para o estudo da filosofia da religião são usados os métodos histórico-crítico comparativo, o filológico e o antropológico. O primeiro deles compara as várias religiões no tempo e no espaço, em busca de seus aspectos mais comuns e suas diferenças, para verificar o que constitui a essência do fenômeno religioso. O segundo faz o estudo comparativo das línguas, visando encontrar as palavras utilizadas para descrever e expressar o sagrado e suas raízes comuns. O terceiro método procura reconstruir o passado religioso tendo por base a etnologia (estudo dos povos primitivos e atuais, suas instituições, crenças, rituais e tradições).[1] A filosofia da religião deve fazer uma adequada conjugação desses métodos "para obter a melhor soma de elementos para chegar à conclusão mais correta sobre a essência da religião e suas características universais."[1]

Histórico

Até o século XX, a história do pensamento filosófico ocidental encontrava-se intimamente associada às tentativas de esclarecer certos aspectos do paganismo, do judaísmo e do cristianismo, enquanto que em tradições como o hinduísmo, o budismo ou o taoismo, há uma distinção ainda menor entre a investigação filosófica e a religiosa.

O problema clássico de conceber um objeto apropriado para a crença religiosa consiste em compreender se é possível lhe atribuir algum termo: fará sentido dizer que esse objeto cria e conhece coisas, que deseja certos acontecimentos, que é bom ou providencial, que é uma ou muitas coisas?

Na teologia negativa afirma-se que Deus só pode ser conhecido quando negamos que os termos vulgares possam ser-lhe aplicados; outra sugestão influente é a de que os termos vulgares só se lhe aplicam metaforicamente, não existindo qualquer esperança de eliminar essas metáforas. Mas mesmo que se chegue a uma descrição do Ser Supremo, continuamos com o problema de encontrar um motivo para se supor que exista algo correspondente a essa descrição.

A época medieval foi a mais fértil em pretensas demonstrações da existência de Deus, como as cinco vias de Santo Tomás de Aquino, ou o argumento ontológico de Santo Anselmo. Essas provas deixaram de ter ampla aceitação desde o século XVIII, embora ainda convençam muitas pessoas e alguns filósofos.

De uma maneira geral, até os filósofos religiosos (ou talvez estes em especial) têm sido cautelosos em relação às manifestações populares da religião. Kant,[2] um simpatizante da fé religiosa, distinguiu várias perversões dessa fé: a teosofia[3] (uso de concepções transcendentais que confundem a razão), a demonologia (favorecimento de concepções antropomórficas do Ser Supremo), a teurgia (ilusão fanática de que esse ser pode nos comunicar sentimentos ou de que podemos exercer influência sobre Ele) e a idolatria ou a delusão supersticiosa de que podemos nos tornar aceitáveis perante o Ser Supremo através de outros meios que não o de ter a lei moral no coração (Crítica da faculdade do juízo, II.28).

No entanto, essas tendências para o contato arrebatado têm se tornado cada vez mais importantes na teologia moderna. Desde Feuerbach há uma tendência crescente na filosofia da religião em se concentrar nas dimensões sociais e antropológicas da crença religiosa (ver também jogo de linguagemmagia), ou para a conceber como uma manifestação de várias necessidades psicológicas explicáveis.

Outra reação consiste numa fuga para o elogio do comprometimento existencial puramente subjetivo (ver também existencialismoKierkegaard). No entanto, o argumento ontológico continua a atrair a atenção, e as tendências antifundacionalistas (ver fundacionalismo) da epistemologia moderna não são inteiramente hostis às pretensões cognitivas que se baseiam na experiência religiosa.

filosofia da matematica

Filosofia da Matemática 

Filosofia da Matemática é o ramo da filosofia que estuda os pressupostos filosóficos, os fundamentos e as implicações da matemática. O objetivo da filosofia da matemática é fornecer um relato da natureza e metodologia da matemática e entender o lugar da matemática na vida das pessoas. A natureza lógica e estrutural da própria matemática torna este estudo amplo e único entre seus homólogos filosóficos.

Questões

Algumas questões que os filósofos da matemática se colocam a estudar:

  • Qual a origem dos objetos matemáticos?[1]

  • Qual o relacionamento entre Lógica e Matemática[2].

  • Qual a influência da experiência sobre as abstrações matemáticas?[3]

  • Como definir o conceito de beleza e elegância que matemáticos associam às demonstrações?[4]

  • Que raciocínios matemáticos podem ser considerados pensamentos sintéticos à priori, no contexto da filosofia kantiana?[5]

Correntes​

Platonismo

O Platonismo Matemático é uma corrente realista, que defende que os objetos matemáticos são entidades abstratas não presentes no espaço e nem no tempo, portanto também entidades não-causais, não-mentais e não-físicas.

Devido à negação da presença espaço-temporal das entidades matemáticos, este pensamento cria diversas questões epistemológicas, ou seja, questões a cerca da possibilidade de conhecimento destas entidades, já que se os objetos matemáticos não são conhecíveis através da experiência, que se dá através do espaço e do tempo. É importate ressaltar que as divisões desta corrente se dão acerca das respostas a estas questões.

Gottlob Frege dá um dos mais importantes argumentos pró-platonismo.

Clássico

A versão clássica do platonismo matemático leva como pressupostos aceitar que o universo é dividido em dois planos, o sensível, da matéria, e o inteligível, das entidades abstratas, e aceitar alguma forma de inatismo, que é a crença de que existem conhecimentos que vem antes do nascimento, pois assim são justificadas parte das questões epistemológicas abertas. Em outras palavras, neste ponto de vista, os objetos matemáticos não são experimentados, pois estão em um outro plano de existência, mas sim lembrados. Entretanto o platonismo matemático clássico não descreve, em si, como conseguimos ver os números das coisas, isto varia dependendo da visão cosmológica do filósofo em questão.

Não-Convencional

Logicismo

É uma corrente que defende que toda a matemática é redutível para a lógica. Um dos seus grandes marcos é a criação da Principia Mathematica por Russell e Whitehead.

Tem a necessidade de provar que a matemática é analítica, posição criticada por Kant.

Intuicionismo

Corrente mais preocupada com a epistemologia da matemática, afirma que existem afirmações que não são nem verdadeiras, nem falsas.

Formalismo

Corrente que acredita que a matemática é tem forma linguística autorreferencial, portanto a matemática é uma ficção formada por tautologias sem sentido algum.

Nominalismo

Corrente que acredita que a matemática não faz sentido algum, pois ela não tem referências materiais.

Ficcionalismo

Corrente que acredita que a matemática é uma ficção.

Construtivismo

Corrente que acredita que a matemática é uma construção social.

filosofia da fisica

Filosofia da Física

Considerando-se que a Física sempre esteve associada à Filosofia Natural desde a antiguidade até tempos mais recentes, pode-se considerar que a filosofia da Física seja a mais antiga disciplina filosófica da história.[1] A reflexão humana sobre o mundo físico precedeu historicamente a reflexão sobre a natureza de nossos próprios pensamentos e de nossas interações sociais com outros seres humanos.[2] No entanto, Filosofia da Física, como disciplina, surge durante o Renascimento e começa a ser aprofundada durante o Iluminismo, tendo um caráter mais epistemológico com o avançar dos séculos.[3]

À parte o fato de, na visão de vários cientistas atuais, as considerações filosóficas sobre a ciência e a física não impliquem influências diretas em suas atividades ou métodos de trabalho como cientistas no dia-a-dia, a Filosofia da Física envolve uma combinação de assuntos conceituaismetodológicosepistemológicos e até mesmo metafísicos.[2][4][5] Um dos primeiros estudos da Filosofia da Física foi refletir que a Física lida com os componentes mais fundamentais do Universo.[1] Surge daí um pensamento onde possivelmente tudo deva ser reduzido a isso; surge então o determinismo científico, onde tudo que existe não passa de simples partículas e que os movimentos destas são para sempre determinados quando se mensuram as posições e as velocidades de todas as partículas no momento atual.

 

Em outras palavras, conhecendo-se as posições de todas as partículas do Universo e as suas respetivas velocidades em um dado instante, poder-se-ia conhecer com exatidão todo o passado e o futuro, fosse qual fosse o instante desejado.[6] Esta forma de pensar liga-se diretamente ao reducionismo. Segundo essa linha de pensamento, é possível estabelecer leis básicas que descrevam completamente o comportamento do Universo. Nestes termos, todo o conhecimento pode ser reduzido a estas leis básicas. Por exemplo, todos os fenômenos químicos podem ser deduzidos da Mecânica Quânticase o número de cálculos envolvidos for viável.

O principal objetivo da Física seria então encontrar estas leis básicas que regem o Universo. O reducionismo coloca a Física na posição de ciência a mais básica de todas - pois, a partir dela, seria possível, em princípio, chegar-se ao mesmo conhecimento produzido em todas as outras - embora não implique no descarte das demais, pois essas tratariam com as suas próprias metodologias os fenômenos naturais mais complexos, consolidando-se em áreas que, por questões práticas, estariam fora do alcance da Física.[7]

Noções

Com a Física em posição de ciência mais fundamental, segundo o determinismo e o reducionismo, certas questões metafísicas, como especulações sobre o tempo, a existência e as origens do Universo, e outras, deveriam ser enviadas à Física para obterem-se respostas segundo seus moldes. Nestes termos, seja qual for a resposta que a Física apresente para conceitos como tempo, causa e ação, ou mesmo identidade, estas deveriam ser consideradas em princípio corretas.[8] Entretanto, se as noções tradicionais metafísicas entrarem em confronto com uma Física bem enraizada, então essas noções metafísicas deixariam de ter significado ou dever-se-ia questionar a validade dos conhecimentos sobre o mundo físico providos pela Física. Como ponto relevante, filósofos da Física têm se esforçado para investigar qualquer confronto possível entre a Metafísica e a Física.[2]

A Física tem sido considerada historicamente o modelo de ciência para todas as outras ciências, naturais ou humanas, tanto por filósofos quanto por cientistas.[9] A Sociologia, ainda nos seus primórdios com Auguste Comte, na primeira metade do século XIX, era chamada de "Física Social".[10][11] Além do mais, dentro da construção do senso comum, a Física detém os melhores métodos que a ciência pode conceber.[2] Mas também é argumentável que a Física tem os seus próprios métodos, diferentes daqueles de outras ciências, e particularmente aplicáveis à própria disciplina e incomensuráveis a outras. Mesmo dentro da Física, os métodos podem variar e serem incomensuráveis.[12]

Os filósofos da Física colaboram juntamente com os físicos para entender os conceitos que eles empregam em suas pesquisas.[13] A Física ocupa uma posição privilegiada dentre as ciências, já que lida com os mais arraigados conceitos cotidianos. O próprio conceito de cotidiano já foi várias vezes abalado com as mudanças de pontos de vista da Física. Por exemplo, a revolução copernicana, trazendo o heliocentrismo ao primeiro plano, quebrando o paradigma geocentrista defendido pela Igreja Católica na Idade Média; a unificação da Física dos Céus e da Terra com a gravitação universal de Newton; a unificação dos conhecimentos de eletricidade 

magnetismo por Maxwell.

As viagens no tempo e os buracos negros começaram a ganhar espaço dentro do imaginário popular a partir da Relatividade Geral de Albert Einstein.[2][14] O advento da Mecânica Quântica trouxe um baque às ontologias reducionistas e deterministas ligadas à mecânica newtoniana, sendo que a própria Física indiretamente os criara.[15]

Método científico e Epistemologia

Os cientistas em Física usam o método científico para validar uma teoria, usando uma aproximação metodológica para comparar as implicações da teoria com as conclusões obtidas de experimentos e observações especialmente conduzidos para testar a teoria. Os experimentos e observações são feitos com propósito pré-definido, para se coletar e comparar os dados obtidos por estes com as previsões e teses feitas por um físico teórico, assim ajudando na validade ou não de uma teoria [16].

As hipóteses integrantes de uma teoria que são suportadas por dados confiáveis geralmente de natureza abrangente e que nunca falharam frente a qualquer tentativa de "falsificação", nas palavras de Karl Popper,[17] são chamadas de leis científicas ou leis naturais. Naturalmente, todas as teorias, inclusive aquelas integradas por leis naturais, bem como estas mesmas, podem ser modificadas ou substituídas por outras mais precisas, quando uma anomalia que "falsifica" a teoria for encontrada.[18] Entretanto, isto não é linear. Uma teoria ou um conjunto de teorias podem ser mantidos mesmo que haja anomalias que os invalidem.

Segundo Imre Lakatos, um conjunto de teorias, que é chamado por ele de "programas de pesquisa", é mantido mesmo com várias anomalias.[19] Para que o "programa de pesquisa" se mantenha, tais anomalias são "encaixadas" em um "cinturão protetor" de hipóteses e teses, que podem ser modificados conforme o advento das anomalias encontradas pela Física Experimental, embora o "núcleo central", ou seja, a tese básica do programa de pesquisa, deve ser mantida integralmente.[19] Um "programa de pesquisa" é superado apenas quando o "cinturão protetor" já não é capaz de suportar novas anomalias. Para Lakatos, a substituição de programas de pesquisa coincide com revoluções na história da ciência.

 

Os "programas de pesquisa" vencedores podem englobar ou não programas de pesquisa superados.[19] A evolução dos "programas de pesquisa" de Lakatos é semelhante à tese de mudanças de paradigma defendida por Thomas Kuhn como base do desenvolvimento da Ciência.[20] As Leis de Newton, por exemplo, estão embebidas dentro da Relatividade, assim como toda a Mecânica Newtoniana,[21] e, mesmo que suas aplicabilidades não sejam mais universais, os três princípios de Newton ainda são chamados de "leis" e a mecânica newtoniana ainda é ensinada nas escolas de ensino médio de todo o mundo.[22]

Embora para um cientista moderno o método de trabalho que emprega geralmente apresente-se, ao menos para ele, bem definido e claro, a natureza do método científico também é motivo para vários debates filosóficos. Vários filósofos apoiam a ideia da inexistência de um único método científico "inscrito em pedra",[23] e até mesmo a sua inexistência.[24]Entretanto, se opõem a qualquer tentativa de estruturação do método científico, que inclui a enumeração dos passos, visto frequentemente na educação de ciências.[25] Alguns filósofos, como Karl Popper, negam a existência do método científico; embora incluso no método científico segundo seus defensores, para Popper existe apenas um método universal, a tentativa e erro.[24]

Física estatística

 

Gráfico representando o movimento browniano em três dimensões

física estatística tem por objetivo de estudo os sistemas constituídos por "incontáveis" partículas, tantas que se torna impraticável a sua descrição através da descrição de cada uma das suas partículas. Tais sistemas não são raros, e uma simples amostra de gás confinado em uma garrafa seria um exemplo. As ferramentas para solução da questão residem nos conceitos de probabilidade e de estatística.

Surge de forma inerente um problema filosófico em relação ao questionamento sobre a exata definição de probabilidade. Alguns filósofos sugerem que a probabilidade seja a medida da "ignorância" sobre um número real.[26] Entretanto, esta definição é bastante subjetiva e não explica o sentido de probabilidade usada pela Física Estatística ou pela Mecânica Quântica. Em termos físicos, a probabilidade ganha um sentido mais concreto. A probabilidade é uma propriedade intrínseca a alguns processos físicos e não depende do "nível de conhecimento" do físico experimental. Um átomo pode decair radioativamente sob certa probabilidade entre 0 e 1 e isso não depende da quantidade de "ignorância" do observador. Isso é fundamental para a própria existência da Física Estatística, que é a teoria dos processos físicos probabilísticos.[27]

Dentro dos processos probabilísticos está arraigada a noção de entropia, conceito fundamental também em termodinâmicaLudwig Boltzmann propôs que a "direção" do tempo é determinada pela entropia.[28] Desde então, os filósofos debatem contra e a favor da tese de Boltzmann. Para alguns, a entropia, em termodinâmica, não pode ser generalizada para eventos universais.[29] É necessário que haja determinismo estrito e pontual, inconcebível dentro da Mecânica Quântica; a direção do tempo determinado pela entropia não passaria de um ponto de vista metafísico.[30]

 

Entretanto, outros afirmam que é absolutamente possível conciliar as duas teorias e que a direção do tempo é realmente determinada pela entropia.[30] A segunda corrente de ideias está grandemente relacionada ao relacionalismo de Gottfried Wilhelm Leibniz, onde o tempo existiria apenas se existissem objetos e eventos em constante complexidade, que pode ser traduzida como a própria entropia.[2]

Tempo e Espaço

Absolutismo e Relacionalismo

Dois líquidos imiscíveis em rotação em relação a um eixo vertical, como proposto na experiência do balde de Newton: nota-se a concavidade (paraboloide) do líquido superior

O debate que discute a natureza do tempo e espaço, que podem ser vistos como objetos reais, absolutos, ou simplesmente ordenações relacionais de objetos reais, começou com um debate entre Isaac Newton, por meio de seu porta-voz Samuel Clarke, e de Leibniz.[31]Argumentando contra a posição absolutista, Leibniz mostra vários experimentos mentais para comprovar que, assumindo a existência de fatos como local e velocidade absolutos, isso levará a uma contradição.[31] Estes argumentos se baseiam em dois princípios centrais de Leibniz, o princípio da razão suficiente e a identidade dos indiscerníveis.[31][32] Segundo o princípio da razão suficiente de Leibniz, nada será sem que haja uma razão para sua existência ou sem que haja uma explicação para sua existência.[33] Segundo o princípio da identidade dos indiscerníveis, dois objetos são iguais, indiscerníveis, se compartilham das mesmas propriedades.[34]

Por exemplo, em um de seus experimentos mentais, Leibniz imaginou dois universos situados em um espaço absoluto.[35] A única diferença entre eles é que o segundo universo está situado a cinco metros a esquerda do primeiro, uma possibilidade realista se o espaço absoluto existir.[35] Entretanto, tal situação não existe porque, se o universo foi posicionado em um espaço absoluto, estaria em qualquer local do espaço. Não foi dado anteriormente nenhuma coordenada de posição para o segundo universo dentro do primeiro, e este segundo universo estaria a cinco metros a esquerda de qualquer posição do primeiro universo. Em outras palavras, o segundo universo poderia estar em qualquer lugar dentro do primeiro e, portanto, não haveria razão da existência de dois universos simultâneos, assim ferindo o princípio da razão suficiente. Além disso, admitindo a existência de dois universos simultâneos, não poderiam ser identificados separadamente, pois exibem as mesmas propriedades, considerando-se o princípio da identidade dos indiscerníveis.[32]

Respondendo a Leibniz, Newton, por meio de Clarke, mostrou o experimento mental do balde com água.[36] Se um balde com água estiver pendurado por uma corda, sem movimentos, suas superfície será plana. Entretanto, se o balde for posto para girar, a superfície da água será côncava (paraboloide) e permanecerá côncava se o balde parar de girar até a própria água parar de girar em seu interior.[36] Clarke e Newton defendem a necessidade da existência do espaço absoluto para explicar fenômenos como a rotação e a aceleração que não podem ser contabilizados em um pensamento relacionalista puro. Clarke afirma que se a concavidade da superfície da água ocorre no balde giratório assim como em um balde parado contendo água em rotação, então isso só pode ser explicado afirmando que a água está girando em relação a uma terceira coisa, chamada de espaço absoluto.[36]

Leibniz descreve um espaço que existe somente como a relação entre objetos e que, portanto, não tem existência a parte da existência dos objetos; o movimento existe apenas como uma relação entre objetos.[32] O espaço newtoniano, o absolutismo, provê um referencial absoluto, onde os objetos podem ser mover.[37] No sistema de Newton, o referencial existe independente dos objetos que estão contidos neste. Objetos podem ser descritos em um referencial absoluto tendo como pano de fundo o próprio espaço. Por dois séculos, a evidência empírica da superfície da água côncava ficou em voga. Entretanto, a Relatividade Geral de Albert Einstein trouxe novo fôlego ao Relacionalismo.[37]

Princípio de Mach

Ernst Mach proveu uma diferente resposta ao experimento mental de Clarke e Newton e defendeu o Relacionalismo de Leibniz. Sua resposta à concavidade da superfície da água estava baseada nas estrelas fixas.[38] Mach sugeriu que experimentos mentais como o balde giratório são problemáticos por mérito próprio. Se o balde estiver girando em relação a um espaço absoluto, observa-se a concavidade da superfície da água. Entretanto, se o universo for o balde giratório; o balde estaria girando em relação a quê? É igualmente possível, nestas condições, que a superfície da água mantenha-se plana.[38]

Mach argumentou que a água em um balde em um universo vazio poderia manter sua superfície plana.[39] Entretanto, introduzindo outros objetos ao universo, como estrelas fixas, a rotação do balde seria observada em relação a outros objetos, e a superfície da água se tornaria côncava.[38] Aumentando-se o número de objetos a este universo, a superfície da água cada vez se tornaria mais côncava, até em um ponto que se tornaria semelhante ao nosso universo.[38] Em resumo, Mach argumentou que o momento (linear ou angular) de um objeto existe como o resultado da soma de efeitos de outros objetos do Universo. Isto ficou conhecido como o princípio de Mach.[39]

Convencionalismo

Henri Poincaré reagindo negativamente à geometria não-euclidiana proposta por Einstein em sua relatividade, propôs que não existe relação entre a matéria e a geometria do espaçotempo.[40] Poincaré foi além, argumentou que a geometria aplicada a um espaço era decidida por convenção, pois diferentes geometrias poderão descrever um sistema de objetos igualmente bem.[41] Este ponto de vista foi desenvolvido e atualizado por Hans Reichenbach para incluir considerações sobre Relatividade Geral.[42] O convencionalismo de Reichenbach foca em torno da definição de coordenada, que tem duas grandes características.

 

A primeira está relacionada com o comprimento. Isto é motivado pelo fato de que nunca podemos realizar uma medição literalmente direta do comprimento, necessitamos de um objeto físico, um padrão, para realizá-lo. A segunda está relacionada com a separação de objetos. Embora consigamos, presumivelmente, constatar o comprimento de duas barras quanto estão próximas uma da outra, não podemos realizar o mesmo experimento quando estão distantes.[43] 

 

Mesmo supondo que as duas barras, mesmo que trazidas perto uma das outra, parecem ter comprimentos iguais, não podemos nos justificar ao dizer que são exatamente iguais em comprimento. Esta impossibilidade limita nossa habilidade de decidir a igualdade de comprimento de dois objetos distantes. Em resumo, a igualdade de comprimento, ou o próprio comprimento, deve ser definido por convenção.[42]

Dentro da Relatividade Geral, a convenção está situada no fato de que a luz percorre sempre percorre uma distância igual para intervalos de tempo iguais. Estruturado nisso está construído a noção de espaçotempo.[44] Assim como o debate entre o relacionalismo e o absolutismo continua, o debate sobre o convencionalismo ainda ocorre na filosofiamoderna. O convencionalismo ainda tem vários filósofos como defensores, mas as criticas sobre a coerência dos princípios de Reichenbach sobre a definição de coordenadas levou muitos a verem o convencionalismo de forma negativa.[31][45]

Invariância e covariância

Com base nos resultados obtidos a partir da discussão entre absolutismo e relacionalismo, juntamente com as ferramentas matemáticas desenvolvidas nos séculos XIX e XX, Michael Friedman apresenta uma distinção entre a invariância com base nas transformações matemáticas e a covariância por meio de transformações.[46]

invariância, ou simetria, aplica-se a objetos e a eventos. Dentro do espaçotempo, ou de qualquer outra geometria, euclidiana ou não, a invariância aplica-se a características de objetos ou eventos que não mudam sob qualquer transformação, como a velocidade da luz nas transformações de Lorentz e o tempo nas transformações de Galileu.[47] A covariância refere-se a um conjunto de características intrínsecas ao objeto ou ao evento que variam mutuamente segundo qualquer transformação.[48] A invariância dentro do espaçotempo determina quais dos objetos ou eventos são invariantes, ou absolutas, e quais são dinâmicas, ou variáveis.[46]

A covariância aplica-se às formulações da teoria. O grupo de características covariantes designa em qual sistema de coordenadas as leis da Física estão aplicadas.[48] A distinção pode ser ilustrada através do experimento mental de Leibniz, no qual o universo está deslocado cinco metros. Neste exemplo, a posição de um objeto não é exatamente uma característica própria, ou seja, sua localização não é invariante. De modo semelhante, o grupo de características covariante dentro da Mecânica Clássica será qualquer sistema de coordenadas que são obtidas de outro sistema através de mudanças de posição assim como outras translações permitidas pela transformação de Galileu.[49]

No caso clássico, o grupo de características invariantes ou simétricas e o grupo de características covariante coincidem, mas tomam caminhos diferentes dentro da Relatividade. O grupo de características invariantes da Relatividade Geral inclui todas as transformações diferenciáveis.[46] Todas as propriedades de um objeto são dinâmicas, não há objetos absolutos. As formulações da Teoria da Relatividade Geral, diferentemente da Mecânica Clássica, não compartilham um padrão, não há uma única formulação que esteja ligada com as transformações.[46] Por outro lado, o grupo de características covariantes da Relatividade Geral é como qualquer outro grupo covariante de outra teoria física qualquer.[48]

Relatividade  (Teoria da relatividade )

Teoria da Relatividade de Einstein está baseada no princípio da relatividade, que afirma que as leis da Física devem ser as mesmas para todos os observadores, não importando o referencial que usem.[50] A maior dificuldade para esta ideia foi as equações de Maxwell, que incluíam a velocidade da luz no vácuo, juntamente com a ideia de éter luminífero que ainda se tinha na segunda metade do século XIX; a velocidade da luz seria constante apenas tomando como referencial o éter luminífero, em outras palavras, utilizando-se de um espaço absoluto.[51] Entretanto, todas as tentativas de se obter qualquer outro valor para a velocidade da luz conforme as supostas mudanças de velocidade do éter luminífero, como a Experiência de Michelson-Morley, fracassaram.[51] 

 

Einstein mostrou como as transformações de Lorentz podem ser derivadas do princípio da relatividade e da invariância da velocidade da luz.[46] A relatividade restrita é uma formalização do principio da relatividade que não contém um referencial absoluto, que Einstein afirmou não existir.[52] Esta conclusão filosófica tornou-se popular entre os físicos, e as novas formas de visão do espaço e tempo influenciaram matemáticos, como Hermann Minkowski. Segundo Minkowski, a realidade permanecerá independente apenas se houver alguma maneira de unir espaço e tempo.[53]

Einstein foi além; generalizou a relatividade para referenciais não-inerciais, utilizando-se do princípio da equivalência, onde a força sentida por um observador em um campo gravitacional e a força (virtual) sentida por um observador em um referencial em aceleração são indistinguíveis.[47] Isto levou à conclusão que a massa de um objeto deforma a geometria do espaço de seu entorno, como descrito pelas equações de campo de Einstein.[54] Um referencial inercial está ligada a uma geodésica do espaçotempo.[54] Um objeto necessita de força para sair de uma geodésica. Um balde de água em rotação irá experimentar uma força não porque está em movimento em relação às estrelas distantes, mas em respeito à geodésica. Einstein vindica parcialmente o principio de Mach, a superfície da água contida em um balde em rotação será côncava, pois está girando em relação às geodésicas. Entretanto, as geodésicas existem mesmo se não houver objetos massivos, relembrando a ideia da independência do espaço e do tempo proposta por Newton.[39]

 

Direção do tempo

O problema da direção do tempo surge diretamente de dois fatos contraditórios. Primeiramente, as leis da Natureza, a física fundamental, não se alteram se a direção do tempo for retrógrada. Ou seja, se fosse possível assistir um fenômeno físico com duração de {\displaystyle -t}, como se assistisse um filme ao contrário, as leis da física continuariam as mesmas.[55]Porém, dentro de nossas mentes, não há a possibilidade da reversão do tempo. Um copo quebrado simplesmente não se recomporá e subirá sobre a mesa. Temos memórias do passado e nenhuma do futuro. Não podemos alterar o passado, mas podemos alterar o futuro.[56]

Em uma solução, dentro da metafísicacausa e ação são assimétricas. Sabemos mais sobre o passado porque os elementos do passado são causas para o efeito que é a nossa percepção. Sentimos que não podemos afetar o passado e podemos afetar o futuro porque não podemos afetar o passado e podemos afetar o futuro, nada mais.[57] Entretanto, existem dois grandes problemas a este ponto de vista. Um deles é a dificuldade de se definir causa e ação, levando em consideração que a prioridade temporal da causa sobre o efeito não é meramente uma estipulação.[58] Neste caso, se a definição de causa e efeito estiver sido construída em torno disto, a direção do tempo será circular.[59] O segundo problema refere-se ao poder explanador deste ponto de vista. Este pode até explicar os fenômenos que estimulam a nossa percepção de ação, mas não explica todos os fenômenos temporalmente assimétricos.[60]

Termodinâmica

Outra solução para este problema encontra-se na termodinâmica, onde a natureza da direção do tempo está relacionada à natureza da própria termodinâmica. A resposta da termodinâmica clássica afirma que nossas teorias físicas básicas é, de fato, reversamente possíveis, a termodinâmica não é.[61] Em particular, a segunda lei da termodinâmicaafirma que a rede de entropia de um sistema fechado nunca diminui e isso explica o porquê sempre vemos o vidro quebrar e nunca se recompor; a "complexidade", que pode ser traduzida em "bagunça microscópica", nos fenômenos físicos sempre será a maior.[62]

Apesar de ser uma resposta satisfatória, não significa que esta seja a resposta final. Com o desenvolvimento da mecânica estatística, tornou-se mais complicado se obter tal resposta. Por um lado, a mecânica estatística é bem superior à termodinâmica clássica, no qual pode ser mostrado que o comportamento termodinâmico, como a quebra de um copo, pode ser explicado através das leis fundamentais da Física juntamente com um postulado estatístico.[63] Por outro lado, entretanto, a mecânica estatística, diferentemente da termodinâmica clássica, tem simetria temporal.[64] A segunda lei da termodinâmica, sob o ponto de vista da mecânica estatística, meramente afirma que é provável que a rede de entropia vá aumentar, mas isso não é uma lei absoluta.[65]

Mecânica Quântica

Determinismo e indeterminismo

Mecânica Quântica é uma das teorias cientificas mais bem sucedidas. Suas previsões foram confirmadas por experimentos após experimentos e não há cientistas sérios que duvidem de sua validade. Apresenta uma descrição aceitável sobre o comportamento do mundo microscópico de átomos e partículas elementares. Entretanto, ao se estudar mais profundamente o significado desta teoria, percebe-se que diferentes pessoas têm ideias diferentes. Alguns dizem que a Mecânica Quântica prova que o mundo é indeterminístico, enquanto que outros defendem o determinismo.[66]

Probabilidade

Em todo sistema físico, certas propriedades, ou grandezas físicas, estão associadas, como posiçãodistânciamassavelocidade ou temperatura. Em uma teoria física clássica, isto é, que não tenha a interferência da Mecânica Quântica, um sistema é totalmente descrito apenas com todas as grandezas físicas associadas descritas.[67]

Entretanto, a descrição de grandezas físicas na Mecânica Quântica torna-se complicado.[68] Um sistema já não é mais descrito apenas descrevendo todas as grandezas físicas associadas, mas como sendo um vetor no espaço de Hilbert.[69] 

 

Este é um conceito matemático bastante abstrato, que está relacionado às grandezas físicas por meio das regras da teoria.

Em geral, não podemos precisar com absoluta segurança uma grandeza física dentro da Mecânica Quântica, mas apenas especificar certa "probabilidade" de se encontrar tal valor quando se realiza uma medida.[70]

Incompletude e variáveis ocultas

Ver artigo principal: Teoria das variáveis ocultas

Surgem então debates sobre a completude da teoria. A Mecânica Quântica informa-nos sobre todos os eventos esperados ou representa apenas uma fração da realidade? Dois elétrons com as mesmas descrições quânticas podem ter comportamentos diferentes. Isto leva muitos a afirmarem que o mundo não é comandado pelo determinismo, os fenômenos dependem da "chance". Segundo eles, torna-se impossível realizar previsões com certeza e isto prova que o mundo é indeterminístico.[66]

Entretanto, outros argumentam que os comportamentos diferentes dos elétrons devem-se a estados inicialmente diferentes dos elétrons, que a Mecânica Quântica não é capaz de descrevê-los, simplesmente porque a Mecânica Quântica é incompleta.[71] Abaixo dos fenômenos quânticos deve haver "variáveis ocultas", que são diferentes para fenômenos que tem a mesma descrição quântica.

[72] Assim, a tese das "variáveis ocultas" defende uma realidade determinística; os fenômenos acontecem sob leis da Física estritas, onde não há lugar para chances.[72] Em 1952, David Bohm publicou dois artigos que afirmam exatamente este ponto de vista. Seus resultados concordam com a Mecânica Quântica "ortodoxa"; toda partícula tem comportamento que é explicado segundo a mecânica determinística, mas "potenciais quânticos" inferem os fenômenos não explicados pela Física Clássica.[73]

Paradoxo Einstein-Podolsky-Rosen (EPR)

Ver artigo principal: Paradoxo EPR

Em 1935, Albert EinsteinBoris Podolsky e Nathan Rosen publicaram um artigo afirmando que a teoria quântica era incompleta, e que havia a necessidade de novas variáveis. No artigo, havia duas assunções fundamentais:[74]

  • Se em um sistema que não for perturbado possamos prever com precisão o valor de uma grandeza física, então existe um elemento da realidade física correspondente a esta grandeza física.[74]

  • Dois sistemas não podem influenciar mutuamente quando estão grandemente distanciados, todas as interações são "locais".[74]

Ambas as assunções são razoáveis. Parece extremamente insensato descartar o requerimento da localidade, o que se pode fazer aqui na terra não parece estar influenciando outro fenômeno em qualquer outro planeta distante. Einstein, Podolsky e Rosen argumentavam que a teoria quântica era incompleta. Deve haver uma teoria mais completa que explique mais profundamente, dentro de um ponto determinístico, todos os eventos que em que a Mecânica Quântica difere da Mecânica Clássica.[75]

Desigualdades de Bell

Ver artigo principal: Teorema de Bell

Em um artigo publicado em 1964, John Bell afirmou que as possíveis "variáveis ocultas" de Einstein, Podolsky e Rosen não são compatíveis empiricamente com a Mecânica Quântica. Se as possíveis variáveis ocultas fossem verdadeiras, existiria uma série de desigualdades, conhecidas como as desigualdades de Bell. Se a Mecânica Quântica ortodoxa for verdadeira, tais desigualdades não ocorrem.[76] A discussão sobre a existência de variáveis ocultas determinísticas e locais saiu do campo filosófico e foi comprovado experimentalmente a sua não existência.[76]

Um dos postulados do paradoxo EPR devia ser abandonado: a localidade ou os elementos de uma realidade física. Os físicos fizeram a escolha de se abandonar a localidade, mas seguiram com ideia das variáveis ocultas não-locais.[77] A teoria de Bohm, que se utilizava da noção de variáveis ocultas, é uma teoria não-local. O potencial quântico de Bohm permite a perturbação de um sistema em outro sistema a grandes distâncias. Além disso, tais variáveis ocultas devem ser também contextuais, ou seja, os resultados as medições podem depender de qual tipo de medidas que foram feitas em outros sistemas. Entretanto, muitos argumentam que a teoria de Bohm deixa de ser determinística ao impor a não-localidade e a contextualização de medidas.[73]

Incerteza e complementaridade

Relações de incerteza de Heisenberg

Ver artigo principal: Princípio da incerteza

Entre os mais famosos resultados da Mecânica Quântica são as relações de incerteza de Heisenberg. Entretanto, sua interpretação ainda não obteve consenso. Há duas séries distintas da interpretação das desigualdades que são conhecidas como as relações de incerteza de Heisenberg.[78]

Segundo o próprio Werner Heisenberg em 1925, a incerteza da posição de uma partícula subatômica multiplicada pela incerteza de seu momento nunca será menor do que certa constante numérica. Não se pode, por exemplo, medir a posição e o momento de um elétron ao mesmo tempo; ao se medir a sua posição, comprometemos seu momento, e vice-versa. As relações de incerteza, à primeira vista, parecem derivar da impossibilidade de nosso conhecimento em obter tais grandezas físicas. Entretanto, Heisenberg afirmou que a incerteza é uma propriedade intrínseca à partícula, se não há meios de se definir com precisão uma grandeza física, então tal grandeza não está precisamente definida por natureza.[79]

Heisenberg vai além. Segundo ele, a posição ou o momento de um elétron apenas são definidos porque houve uma medição. Sem a medição, tal elétron não tem posição ou momento definidos.[79] Dois anos mais tarde, E. Kennard provou um teorema que afirma que não se pode ter certeza absoluta de duas variáveis que não comutam. Embora seja o formalismo matemático para o principio de Heisenberg, o teorema provado por Kennard e o principio da incerteza de Heisenberg são objetos diferentes.[80]

Dualidade onda-partícula

Ver artigo principal: Dualidade onda-partícula

 

Experiência da dupla fendarealizada com elétrons individuais. No anteparo observa-se um padrão de interferência e ao mesmo tempo pontos brancos que evidenciam o contato local do elétron com o anteparo, evidenciando a dualidade onda-partícula

No século XVII, houve grandes debates sobre a natureza da luz. Alguns físicos, como Isaac Newton, defendiam que a luz era constituída de partículas devido ao seu comportamento particular em algumas circunstâncias (óptica geométrica).[81] Entretanto, a experiência da dupla fenda de James Young mostrou o caráter ondulatório da luz ao se observar a interferência em um anteparo.[82] 

 

teoria eletromagnética de James Clerk Maxwell praticamente consagrou a luz com um caráter ondulatório.[81] Entretanto, a descoberta do efeito fotoelétrico retomou a ideia da natureza corpuscular da luz: a remoção de elétrons de uma chapa metálica pela luz parece depender apenas de sua frequência, não de sua energia.[83] Outras experiências mostravam também o caráter corpuscular da luz, como o surgimento de partículas em chapas fotográficas expostas a fraquíssima luz: se a luz fosse onda, a chapa fotográfica seria gravada de modo uniforme e não com o aparecimento de pequenos pontos.[84]

Louis de Broglie sugeriu em 1924 que o elétron também tem esta propriedade,[85] confirmada experimentalmente através da difração de elétrons em cristais: um padrão de interferência foi observado no anteparo.[86] Tais experiências comprovaram a dualidade onda-partículadas partículas subatômicas.[85] A discussão sobre a verdadeira natureza de tais partículas levou ao surgimento do princípio da complementaridade.[87]

Principio da complementaridade de Bohr[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Princípio da complementaridade

A junção da noção de dualidade onda-partícula e o principio da incerteza de Heisenberg levou o dinamarquês Niels Bohr, um dos fundadores da Mecânica Quântica, a postular o que é conhecido como o seu "principio da complementaridade". Segundo Bohr, não se pode dar uma descrição sobre o mundo quântico. Os únicos conceitos que podemos usar são aqueles que descrevem o mundo macroscópico.[88]

Entretanto, podemos usar os conceitos clássicos para descrever fenômenos. Um fenômeno é o resultado de uma medida, alguma coisa que se pode conferir em laboratório e é sempre bem-definido. Os conceitos que podemos usar em uma situação dependem do contexto experimental; podemos apenas usar um conceito se o experimento medir a grandeza física correspondente.[71] Já que grandezas físicas diferentes não podem ser medidas ao mesmo tempo, tais grandezas são complementárias. Grandezas físicas complementárias não podem ser medidas no mesmo experimento, embora ainda se precise de tais informações para dar uma descrição completa do fenômeno.[71]

Dentro do conceito de dualidade onda-partícula, isso significa que precisamos tanto da natureza ondular quanto da natureza corpuscular de um objeto quântico para poder descrevê-lo nos experimentos, mas tais condições não podem ser empregadas ao mesmo tempo.[70] A solução de Bohr nega a possibilidade de se montar um pano de fundo completo para o mundo quântico. Muitos filósofos e físicos não aceitam, e atualmente tentam encontrar modos de poder ver o mundo quântico segundo as acepções que a mente humana está acostumada.[89]

O problema da medida

Ver artigo principal: Problema da medição

Talvez o maior problema dentro da Mecânica Quântica seja o "problema da medida". Um elétron pode ter chances de 50% de ter spin 1/2 ou 50% de ter spin -1/2. Matematicamente, podemos descrever tal estado como uma superposição, ou seja, existe a possibilidade de tal partícula ter spin 1/2 e spin -1/2 ao mesmo tempo, com chances de 50% para ambos. Entretanto, ao se realizar a medida, podemos encontrar ou spin 1/2 ou spin -1/2; o aparelho medidor não vai apontar que a partícula está em ambos os estados ao mesmo tempo.[90]

Gato de Schrödinger

Ver artigo principal: Gato de Schrödinger

 

Diagrama do experimento mental do gato de Schrödinger

Dentro desse contexto, Erwin Schrödinger elaborou um experimento mental envolvendo um gato. Suponha-se que um gato esteja em uma caixa selada hermeticamente. A caixa também contém um aparelho "diabólico", constituindo-se de um átomo radioativo, um aparelho de medida, um martelo e um frasco de gás venenoso. Quando o átomo radioativo decai, o aparelho de medida percebe o fenômeno, e o martelo quebra o frasco de gás venenoso, que pode ser suficiente para causar a morte do gato.[91]

O decaimento do átomo radioativo é um processo quântico, onde o átomo é uma superposição de "ainda não decaído" e "já decaído"; a chance para "já decaído" aumenta com o passar do tempo. Se o átomo radioativo está em superposição, também podemos dizer que o gato também está em superposição: "gato vivo" e "gato morto" ao mesmo tempo.[91]

Existem duas tentativas de resposta para este problema. Uma das soluções prevê o uso das variáveis ocultas; seria possível averiguar com certeza o momento exato do decaimento do átomo radioativo e, portanto, é possível afirmar se o gato está vivo ou morto em um determinado instante.[91] A segunda tenta resolver o problema da medida por vários outros métodos.

Postulado de projeção

A tentativa mais antiga, e a mais seguida, de se resolver o problema da medição, foi elaborada por John Von Neumann. Em 1932, Von Neumann publicou cinco postulados, onde baseia matematicamente a Mecânica Quântica.[92] Em seu quinto postulado, Von Neumann apresenta a sua solução para o problema da medida, conhecida como o "postulado de projeção".[92] O postulado afirma que quando um experimento é realizado em um sistema, tal sistema deixa de estar em superposição e passa para um novo estado onde a grandeza física buscada tem um valor determinado. Segundo Von Neumann, há dois tipos de evolução de sistemas quânticos, o estado normal, quando o sistema segue as leis quânticas, e o estado quando se realiza a medida, quando ocorre uma mudança brusca de evolução e o sistema quântico deixa de seguir as leis quânticas.[92]

Entretanto, o postulado de projeção tem dois grandes problemas: primeiramente, existem realmente dois tipos de evolução temporal? O ato de medida é realmente algo especial dentro da Mecânica Quântica, para que a evolução de um sistema quântico mude bruscamente?[93] Segundamente, o que é realmente uma medida? O que faz de uma medida ser realmente uma medida?[94]

Amigo de Wigner

Ver artigo principal: Amigo de Wigner

Eugene Wigner também elaborou um experimento mental em uma tentativa radical de se definir o que é medida. Segundo Wigner,[95]

"Estou certo de que minha mente nunca está em superposição. Se eu realizar um experimento direto, estarei certo de encontrar uma e apenas uma medida definida. Não é impossível assumir que uma partícula quântica esteja em superposição, e isto se aplica ao aparelho de medida, mas a minha mente nunca estará em superposição. Se eu observar diretamente uma partícula quântica, uma medida se realizará e isso será descrito segundo o postulado de projeção.

Assumindo que eu tenha um amigo que realizou um experimento quântico, ao perguntar para ele o que ele observou, eu faço uma medida e supostamente reduzo-o da superposição para um estado onde certamente o resultado será claro e não-ambíguo. Mas é plausível afirmar que meu amigo, outro ser consciente, estava em superposição até eu realizar minha medida? Claro que não."[95]

Segundo Wigner, todas as consciências são capazes de realizar medidas, já que a consciência é a única coisa do Universo capaz de medir ela própria. Wigner deseja dar à consciência um papel central dentro da teoria quântica para resolver o problema da medida.[95] Entretanto, muitos acreditam que a ideia de Wigner está deslocada da ciência e afirmam até mesmo que seja risível. Porem, o fato da grande repercussão do experimento mental de Wigner, até mesmo entre os físicos, mostra a seriedade do problema da medida.[95]

Colapso instantâneo

Em uma tentativa de resolver o problema da medida sem ter que recorrer a duas evoluções temporais distintas, Ghirardi, Rimini e Weber desenvolveram as teorias de colapso. Nestas propostas, há apenas um tipo de evolução temporal de um sistema quântico, mas que é ligeiramente diferente da prevista pela Mecânica Quântica normal.[96]

As partículas quânticas têm uma pequeníssima chance de sair da superposição para um estado onde a sua posição é definida. Tal chance é realmente pequena, ocorre infitesimalmente uma vez a cada 1010 anos. Entretanto, quando a partícula adentra para o estado de posição definida, todo o sistema quântico onde tal partícula está contida também tem posição definida. Como um sistema macroscópico é constituído de intermináveis partículas quânticas, todo o sistema está em estado de posição definida muitas vezes por segundo. Como o aparelho de medida é macroscópico, o aparelho também sairá do estado de superposição para o estado de posição definida muitas vezes por segundo. Ao se realizar uma medida a nível quântico, em algum momento o aparelho de medida sairá do estado de superposição para o estado de posição definida, e os resultados que são colhidos sempre serão com posição definida.[97]

Isto resolve o problema da superposição, mas traz um elemento não-intuitivo para a evolução temporal de um sistema quântico. Embora seja possível realizar experimentos sobre a existência da possibilidade de uma partícula quântica sair do estado de superposição, tal experimento ainda não é viável.[93]

Muitos mundos

Ver artigo principal: Interpretação de muitos mundos

 

Diagrama do gato de Schrödinger, segundo a interpretação de muitos mundos

Hugh Everett IIIBryce DeWitt e John Archibald Wheeler rejeitaram o postulado de projeção e afirmam que a evolução temporal prevista pela Mecânica Quântica é perfeitamente aceitável. Quando uma medida é realizada em uma partícula em superposição, o aparelho que executará a medida também estará em superposição. Entretanto, as diferentes partes da superposição correspondem a diferentes mundos alternativos. Se, por exemplo, medir o spin de uma partícula, o universo divide-se em dois: em um mundo encontraremos spin 1/2 e em outro encontraremos spin -1/2.[98][99]

Para assegurar que as predições realizadas pela Mecânica Quântica sejam plausíveis dentro deste ponto de pista, devemos postular que o universo divide-se em infinitos outros universos, sendo que a probabilidade de encontrar um dos estados de posição definidos para uma partícula quântica é exatamente a percentagem de mundos onde podemos encontrar tal posição definida.[100] Entretanto, o ceticismo é grande: muitos físicos afirmam que a afirmação mão é coerente e foge dos "padrões de normalidade". Além disso, essa proposta de se resolver o problema da medida apenas dispensa a necessidade de duas evoluções temporais para partículas quânticas, mas deixa intacta a necessidade de se estabelecer uma real definição do que seja uma medida.[100]

Física experimental

 

Os filósofos da Física tradicionalmente se preocupam com a natureza das teorias científicas, isto devido em grande parte ao papel central que a epistemologia teve na filosofia, principalmente após o início do século XX.[101] Em vista do advento das teorias modernas na Física, foi a partir desta data que filósofos e historiadores de Física começaram a ficar mais atentos à Física Experimental, e têm argumentado que o experimento tem seus próprios métodos e práticas, que podem se diferenciar e serem incomensuráveis dentro da diversidade da Física Experimental.[102]

Segundo Thomas Kuhn, os paradigmas científicos, que englobam toda uma linha de teorias científicas, métodos e valores, contém convicções científicas que não podem ser explicadas segundo as teorias existentes sobre racionalidade.[103] Para Kuhn, a ciência "normal" é realizada dentro de um determinado paradigma científico praticamente estável, mesmo com a presença de anomalias que contrariam tal paradigma.[20] Analisando-se as revoluções científicas, Kuhn percebe que estas estão associadas a mudanças de paradigma.[20] 

 

Um paradigma não é banido quando a Física Experimental encontra uma anomalia, mas apenas quanto o próprio paradigma já não mais suporta a quantidade de anomalias.[20] Segundo Imre Lakatos, que batiza paradigma como "programa de pesquisa",[19] tais mudanças não ocorrem abruptamente. Consequentemente, não existem experimentos cruciais na História da Física.[19] A concepção de Éter, para Lakatos, não foi abandonada abruptamente com a Experiência de Michelson-Morley, mas sim abandonada historicamente.[19]

Neste contexto, a morte da geração antiga de cientistas e a formação da geração seguinte sob influência do novo paradigma que tenta se estabelecer desempenharia papel importante à evolução das teorias científicas.

filosofia politica

Filosofia Política

Filosofia política é o campo de investigação filosófica das questões da vida política dos seres humanos[1]. No seu amplo alcance de questões destacam-se algumas como os princípios de justificação do poder e do governo, este último em sua origem, natureza e propósito; e as obrigações dos membros constituintes de uma sociedade. Pode-se dizer que problema central da filosofia política é como implementar ou limitar o poder público para manter a sobrevivência e melhorar a qualidade da vida humana.[2]

Etimologia

A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-Estado chamadas "pólis", nome do qual se derivaram palavras como "politiké" (política em geral) e "politikós" (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim "politicus" e chegaram às línguas europeias modernas através do francês"politique" que, em 1265 já era definida nesse idioma como "ciência dos Estados".

 

O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.

Questões da filosofia política

É bastante complicado mapear as questões possíveis para a filosofia política, uma vez que seus conceitos fundamentais estão ainda hoje em contínuo debate filosófico. Mas, dentro da história da filosofia, algumas se sobressaem:

filosofia da linguagem

Filosofia da linguagem

Filosofia da linguagem é o ramo da filosofia que estuda a essência e natureza do fenômenos linguísticos. Uma das principais características da filosofia da linguagem é a maior diferença entre o ser humano e os outros seres que existem no mundo. Ela trata, de um ponto de vista filosófico, da natureza do significado linguístico, da referência, do uso da linguagem, do aprendizado da linguagem, da criatividade dos falantes, da compreensão da linguagem, da interpretação, da tradução, de aspectos linguísticos do pensamento e da experiência. Trata também do estudo da sintaxe, da semântica, da pragmática e da referência. As principais questões investigadas pela disciplina são:

  • Como as frases compõem um todo significativo? O que é o significado das "partes" (palavras) das frases?

  • Qual a natureza do significado? O que é o significado?

  • O que fazemos com a linguagem? Como a usamos socialmente? Qual sua finalidade?

  • Como a linguagem se relaciona com a mente do falante e do intérprete?

  • Como a linguagem se relaciona com o mundo?

Visão geral

Os filósofos da linguagem não se ocupam muito do que significam palavras ou frases individuais. Qualquer dicionário ou enciclopédia pode resolver o problema do significado das palavras quase sempre ou talvez. O mais interessante é o que significa para uma palavra ou frase significar alguma coisa. Por que as expressões têm os significados que têm? Como uma expressão pode ter o mesmo significado de outra? E, principalmente: qual o significado de "significado"?

A pergunta "qual o significado do 'significado'?" não tem uma resposta óbvia. A tradição empirista tratou o significado do "significado" como uma ideia provocada por um signo. Teorias da condição de verdade tratam os significados como condições sob as quais uma frase envolvendo uma expressão pode ser verdadeira ou falsa. Teorias do significado como uso entendem o significado como algo relacionado a atos de fala e frases particulares. Teorias pragmatistas tratam o significado como consequência. Teorias referenciais do significado tratam o significado como algo equivalente às coisas no mundo conectadas às palavras que as designam.

A filosofia da linguagem investiga a relação entre o significado e a verdade. Frases sem significado podem ser verdadeiras ou falsas? E as frases sobre coisas que não existem, como o Papai Noel (Pai Natal)? Quando dizemos que algo é verdade, o que é verdadeiro? A frase?

A questão do aprendizado da linguagem levanta algumas questões interessantes. É possível haver pensamento sem linguagem? O quanto a linguagem influencia o conhecimento do mundo. É possível raciocinar sem linguagem??

História

A investigação filosófica da linguagem pode ser encontrada já nos textos de PlatãoAristóteles e autores estoicos.[1]

No CrátiloPlatão trata de questões concernentes à relação entre os nomes e as coisas que os mesmos designam. Tal relação é natural ou convencional? No final do diálogo, ele admite que convenções sociais estão envolvidas na fixação dos nomes às coisas e que há problemas na ideia de que palavras e fonemas têm significados naturais.

Platão também é responsável pela explicação da possibilidade do discurso sobre a falsidade e o não-ser. É fácil explicar como falamos sobre o que é, existe ou acontece. Se o céu está azul, e dizemos "o céu está azul", o que dizemos é verdadeiro, pois se relaciona de maneira adequada com a cor do céu, o estado de coisas. Mas se o céu está azul e dizemos "o céu não está azul", o que dizemos é falso e aqui temos um problema, pois o que dizemos não se relacionada a nada. Se não se relaciona a nada, então não se relaciona, pois o nada não é nada (coisa alguma, ou, mais adequadamente em Filosofia, ente físico ou ideia alguma), e não pode ser o elemento de uma relação.

 

E, no entanto, falamos muitas coisas que não são, ou são falsas. Isso é possível, segundo Platão, porque as frasessão complexas, ao contrário dos nomes, que são simples. Um nome designa a coisa que designa se a coisa existe, ou não designa nada se a coisa não existe. A frase não nomeia coisa alguma. Nela se atribui um predicado a um sujeito gramatical e é nessa atribuição que há espaço para que se diga, de uma coisa, algo que não cabe a ela. Eis onde nasce a possibilidade do discurso sobre a falsidade e o não-ser.

Aristóteles ocupou-se de questões de lógica, das categorias e do significado. Ele separou todas as coisas nas noções de gênero e espécie. Ele defendeu que o significado de um predicado é estabelecido através da abstração das similaridades entre várias coisas individuais. Tal teoria deu origem ao nominalismo, na Idade Média, mas há influência aristotélica também na posição oposta, o realismo, sobre os universais. Dentre os medievais, Pedro Abelardo é notável pela antecipação de muitas ideias modernas sobre a linguagem.

O debate sobre o significado dos universais interessou a vários filósofos. Qual o significado de "pedra", por exemplo? Para os realistas a palavra refere-se a uma entidade abstrata (a teoria das formas ou ideias de Platão é um exemplo de realismo). Para os nominalistas a palavra é um som comum que utilizamos para designar cada pedra.

A filosofia da linguagem foi considerada importante por vários filósofos modernos, incluindo John AustinFerdinand de SaussureSchopenhauerUmberto EcoHegelHerderWilhelm von HumboldtKantLeibnizLockeNietzscheCharles Sanders PeirceJohn SearleVicoFoucault e Wittgenstein.

Embora os filósofos sempre tenham discutido a linguagem, ela começou a desempenhar um papel central na Filosofia no final do século XIX. No século XX, a Filosofia da Linguagem tornou-se tão importante que, em alguns círculos de filosofia analítica, os problemas da Filosofia em geral foram tratados como problemas de Filosofia da Linguagem.

Linguagem e mundo

 

As teorias da referência investigam como a linguagem interage com o mundo. Frege defendeu uma teoria da referência na qual uma expressão tem sua referência determinada pelo sentido ou modo de apresentação, isto é, pela maneira como o referente é apresentado ao falante. Em contraste, e em resposta ao idealismo de BradleyBertrand Russell criou uma teoria da referência direta.

A teoria da referência mediada de Frege difere da teoria da referência direta de Russell no tratamento dos nomes logicamente próprios. Na explicação de Russell, o único significado dos mesmos são seus respectivos referentes. Na explicação de Frege, qualquer expressão referencial tem um sentido e uma referência. Nomes correferenciais, como "Samuel Clemens" e Mark Twain", causam problemas para a visão diretamente referencial em geral (embora não causem problemas especificamente para a teoria da referência direta de Russell, pois na mesma nem todos os nomes próprios gramaticais são nomes logicamente próprios). A teoria de Frege, por sua vez, encontra dificuldades na articulação e especificação das características dos sentidos.[2]

Interação social e linguagem

Os campos que examinam as condições sociais nas quais os significados e as linguagens emergem são chamados de metassemântica. A etimologia e a estilística são exemplos de áreas de investigação metassemânticas.

 

Na sociologia, o interacionismo simbólico é baseado na intuição que a organização social humana é baseada quase inteiramente sobre o uso de significados. Em consequência, qualquer explicação de uma estrutura social, como uma instituição, precisaria explicar os significados partilhados que criam e sustentam a estrutura.

Outra questão importante sobre mente e linguagem é em que medida a linguagem influencia o pensamento, e vice versa. Há várias perspectivas e sugestões. Por exemplo, a hipótese de Sapir-Whorf limita a extensão na qual os membros de uma comunidade linguística podem pensar sobre os temas. (Há um paralelo dessa hipótese em 1984, romance de George Orwell.)

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