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filosofia clássica

Filosofia Clássica

Filosofia clássica, em seu sentido estrito, refere-se à filosofia antiga. Em seu sentido amplo, inclui também a filosofia medieval, a filosofia renascentista, a filosofia do século XVII e o iluminismo. Ou seja, se refere ao período da filosofia que precede a especialização e profissionalização do conhecimento humano em disciplinas científicas independentes que se seguiu à revolução industrial. Este período é marcado pelo amadurecimento da filosofia para uma forma mais estruturada e pelos desenvolvimentos em ética e politica, que estavam praticamente ausentes nos pré-socráticos.[1]

Na história da filosofia este período é compreendido como estando entre os pré-socráticos e pós-socráticos, embora o uso de tempo para esta denominação não seja totalmente adequado, uma vez que muitos filósofos pré-socráticos foram, na verdade, contemporâneos de Sócrates[2]. A divisão trata mais do estilo de fazer filosofia e da relevância dos três autores que compõe o período clássico, SócratesPlatão e Aristóteles.[3]

Filosofia Helenistica

A filosofia helenística estende-se, em um primeiro momento, da morte de Alexandre (323 a.C.) ao fim da República Romana e à vitória de Augusto na Batalha de Ácio, portanto durante aquilo que historiadores da cultura convencionaram como helenismo. As correntes formadas neste período, todavia, influenciam vastamente a filosofia posterior, permitindo considerar-se como filosofia helenística muito da filosofia ocidental que se estende até o século III d.C., como o posterior neoplatonismo.[1]

Filosofia de uma nova época

A partir do processo histórico que se formava desde o século VI a.C. até o imperialismo ateniense e toda a instabilidade política e econômica posterior,[2] o período de Alexandre, o Grande e o contexto seguinte construíram-se pouco a pouco com novas noções sobre o pertencimento do indivíduo no mundo.[3][4] Nesse contexto, diferente da Grécia Antiga, o pensamento foi gradativamente alterando-se, sofrendo até mesmo influências das religiões orientais, criando-se uma lógica de cosmopolitismo - em outras palavras, de uma universalidade do pensamento humano[5], aplicável a todos os indivíduos. Sendo assim, não teria mais como base as restrições existentes do referencial da pólis, naturalmente um conceito restritivo, pois fechada em si, autônoma, mesmo que conectada a outras[6].

A princípio, as correntes que compõem a filosofia helenística compartilham uma oposição intensa à filosofia clássicaplatônica e aristotélica, mesmo possuindo em suas bases pontos fortemente clássicos. Destacam-se as ideias de que ética e física, sobretudo para estoicos e epicuristas, apoiavam uma à outra, sendo indivisíveis para que seu conhecimento fosse perfeito; um forte materialismo, recusando-se à transcendência - forte, por exemplo, no pensamento aristotélico, embora este materialismo não se aplique exatamente a todas as correntes (como a dos neoplatônicos); as formas sistemáticas que tornam as correntes filosóficas em doutrinas, firmes em suas verdades, sendo que estas articulam os saberes da física, da ética e da lógica;[7] a noção de que cabia ao estudo da filosofia a função de estabelecer caminhos (condutas) capazes de conduzir à felicidade, a chamada "medicina da alma".[8]

Há, por fim, uma crítica à entrega das paixões, capazes de conduzir a uma dilaceração da alma, sendo a filosofia, o melhor caminho, a verdadeira terapia da felicidade. Estuda-se as paixões para reconhecer seus malefícios e buscar expurgá-las, a começar pelo desejo de possuir objetos ou outros indivíduos; valoriza-se o logos e aquilo que depende apenas do indivíduo em sua busca por felicidade.[9]

Escolas Helenísticas

Ceticismo

O ceticismo caracterizou-se como uma corrente de pensamento que surgiu primeiramente com Pirro de Élis, contemporâneo de Alexandre. Denominada de pirronismo, é a primeira filosofia cética e é considerada a mais radical.[10] Tem como uma de suas características principais o natural impedimento do dogmatismo, uma vez que é ideal ao filósofo abster-se de juízo, ou seja, manter um constante estado de dúvida para com verdades possíveis, impedindo-as de serem naturalizadas, ou até mesmo possíveis em sua existência.[11] 

 

Além disso, o filósofo cético, especialmente o que estiver diretamente ligado ao Pirronismo, deveria ter outras três qualidades: ser “incapaz de falar”, com isso incapaz de sentenciar uma “verdade”; ser desprendido de paixões, assim não sendo guiado, e retirado de sua serenidade por ilusões dos sentidos; e por fim ser sereno, livre da confusão do mundo. Este último conceito, porém, exige uma explicação melhor: a indiferença (1ª qualidade) e a insensibilidade (2ª qualidade) garantiriam um estado de tranquilidade mental sem a necessidade de constantes formulações intelectuais e afetivas e, assim sendo, o filósofo manteria sua felicidade, consciente da ausência de respostas e livre da constante tensão que seria a busca pela verdade.[12]

Pirro fez parte da expedição de Alexandre pela Ásia e entrou em contato com algumas correntes de pensamento orientais. Uma possível influência dos gimnosofistas indianos permitiu o desenvolvimento da filosofia de Pirro, mas este também articulou saberes provenientes de correntes do pensamento megáricocínico e democriteano. Aqui a ataraxía, essa serenidade ideal do filósofo, estabelece-se graças ao vazio interior de representações enquanto se mantém e aceita a dúvida, conceito permitido pela influência oriental.[13] 

 

Sobre as origens, também se considera o pensamento megárico como o precursor ocidental mais antigo,[14] aqui sempre considerando que é de vital importância a ideia de que não se possa arbitrar entre verdade ou falsidade em determinado questionamento. Os megáricos já refletiam sobre isso: vê-se aqui um exemplo do enraizamento das filosofias helenísticas em filosofias anteriores, mesmo que sejam conflitantes e opostas, uma vez que sejam filosofias de contextos diferenciados.

Outros filósofos continuaram o pensamento cético, embora alguns destes tenham considerado o ceticismo de forma diferente, como os da chamada terceira Academia, que teve como representante inicial Carnéades de Cirene no século II a.C. Houve ainda alguns pensadores viventes da era cristã que retomaram o ceticismo mais rigoroso, entre eles Sexto Empírico, do século II d.C.[15] Definir o ceticismo como escola pode ser algo controverso, uma vez que ele rejeita o dogmatismo - o próprio Sexto Empírico comenta que o ceticismo apenas teria uma escola enquanto fosse conduta de vida, e não mera instituição enraizada em um dogma.[16]

Representantes

 

 

Epicurismo

O epicurismo surge como uma doutrina diferenciada, em um contexto em que a filosofia costumava preocupar-se com os aspectos subjetivos e mais abstratos. Epicuro rejeita qualquer conhecimento que provenha de algo transcendente aos sentidos e afirma que a felicidade está ao alcance do homem através dessa filosofia voltada à verdade, distanciada do divino e ligada a uma noção mecânica do universo. Epicuro teria nascido em meio à cultura ateniense - assim, sua filosofia pode ser entendida como essencialmente grega.[17]Existiriam no epicurismo três características básicas: um atomismo descendente de Demócrito, que permitiria a Epicuro explicar que o universo era formulado em princípio pela matéria (além de uma outra realidade, invisível, intangível) e que a alma seria mortal; a crença na indiferença dos deuses, posto que existiriam mas, uma vez que teriam atingido a felicidade, não viveriam com o propósito de dar forma ou reger o universo; e uma noção fixa acerca dos sentidos, considerando-os verdadeiros caminhos para a compreensão da verdade e o alcance do bem, sendo o bem aqui entendido por prazer.[18] Esse prazer seria, em última instância, a ausência de perturbação, ou seja, a ataraxía. A verdade traduzida por aquilo que estava ao alcance do homem seria, então, o caminho para a felicidade e para a liberdade.

As noções acerca da física dentro da filosofia de Epicuro, sobretudo o atomismo, estão dispostas de modo a se considerar a ideia de criação como tola, uma vez que não haveria o que criasse o fator criador. Em outras palavras, não seria possível que um todo se originasse do nada; logo, seria necessário que algo criasse aquilo que desse origem ao universo.[19] Posto isso, a reflexão epicurista leva, entre outros pontos, ao fato de que até mesmo a alma poderia morrer, uma vez que sua vida estaria ligada à vida do corpo - aqui fica clara a importância dada aos sentidos. Além disso, a formação e a transformação das coisas (gerando a criação do novo) seria ocasionada pelos movimentos dos átomos:[20] o todo sempre existiu e é composto pelos átomos; a novidade vem apenas da mudança atômica.

Também sua consideração sobre a indiferença dos deuses apresenta-se como, novamente, uma rejeição do transcendente, sendo que seria possível que a relação de Epicuro com o divino e suas considerações sobre este (especialmente em relação à libertação das superstições geradas pela ideia de transcendência) estejam ligadas à sua mãe, a quem o filósofo acompanhava quando jovem ao meio religioso.[21]

Por fim, o forte apela às sensações como fontes de conhecimento permite uma associação direta entre o bem e o prazer: o bem buscado pelo homem só poderia ser encontrado com auxílio dos sentidos; os sentidos só poderiam encontrar como bem o prazer. Há, certamente, um caráter hedonista em tudo isso, na medida em que o prazer seria o único bem possível de ser alcançado. Tal pensamento já existia desde a Escola cirenaica:[22] seria sustentando todo esse sistema que o filósofo alcançaria a felicidade, uma vez que estaria livre da tormenta da transcendência e satisfeito com os bens alcançáveis.

O pensamento epicurista se propagou pelo mundo helenístico ao longo do tempo e chegou a Roma, conforme o contato entre as culturas da época crescia e a presença de Roma se fazia mais forte.[23]. Entre seus representantes no mundo romano, Lucrécio teve seu pensamento muito influenciado por seu momento de vida, o que permitiu uma aceitação à filosofia epicurista.[24] Teria sido um dos filósofos que melhor aderiu ao epicurismo[25] e sua obra teria expandido as noções epicuristas.

Representantes

Estoicismo

O estoicismo também se formou com influências das correntes de pensamento anteriores. Uma de suas máximas era algo já defendido pelo megáricos, que era a negação, ou ao menos a contestação, à noção de uma multiplicidade universal ou de constantes mudanças no cosmos.[26] Com essa simples característica, nota-se a famosa distinção entre estoicismo e epicurismo,[27] na medida em que o primeiro lida com uma ideia de universo e de divindade totalmente ligada a uma unidade (seria o mundo, um só, por exemplo, e o divino, uma força imanente na natureza, da qual seriamos parcelas menores[28]), enquanto que o segundo dedica-se à crença das constantes transformações dos átomos e da multiplicidade de mundos[29].

O estoicismo teve como grande característica a capacidade de se adequar aos contextos em que se encaixava, sobrevivendo durante cinco séculos[30] e tornando-se a corrente filosófica mais influente e duradoura do período helenístico[31]. Dessa longa duração e da pouca importância dada a uma ortodoxia dogmática,[32] surgiu uma variedade de doutrinas dentro da filosofia estoica que articulavam física, ética e lógica de maneiras distintas, criando escalas de importância diferentes entre as três. Houve também quem desconsiderasse uma das três, supondo não haver utilidade, e diversas mudanças ocorreram nas concepções estoicas conforme chegou o período imperial romano. Algo que dificulta a compreensão do estoicismo mais antigo é o fato de as fontes terem sido perdidas e os relatos conhecidos virem de opositores do mesmo.[33]

Zenão de Cítio, fundador da escola do pórtico, nasceu em Chipre, onde havia forte influência grega à época.[34] Em Atenas, como metecofenício, Zenão não tinha direito à cidadania ateniense. Impossibilitado de comprar uma residência, ele ensinava sob um pórtico, e assim a filosofia estoica nasce como uma filosofia, em grande parte, de estrangeiros instalados em um território tradicionalmente grego.[35] Uma ideia notável de Zenão e claramente ligada ao pensamento dos megáricos e ao dos cínicos é a corporeidade da alma e a inexistência de entidades incorpóreas, uma vez que as ideias adviriam do pensamento e não existiriam por si próprias, contrariamente a Platão.[36]

Outras características primordiais do estoicismo são as seguintes: a existência de uma teoria dos signos, antecedente à semiologia atual; a ideia de que, como o animal seria guiado por instinto, o homem seria guiado por razão; um claro cosmopolitismo; e a busca e o elogio do equilíbrio em relação às paixões dos sentidos.[37] Além de tudo isso, o princípio do logos é muito importante para a filosofia estoica: caracterizado de acordo com Heráclito, foi tomado pelos estoicos como princípio ativo da matéria, aquilo que daria forma ao mundo, a essência da própria divindade,[38] à qual estariam submetidas a lógica, a ética e a física e conforme a qual as três se articulariam e dariam estrutura ao sistema filosófico.[39]

O estoicismo influenciou importantes líderes políticos, como Tibério Graco e Cleômenes III de Esparta.[40] No entanto, essa escola filosófica não se manteve estática, idêntica à filosofia desenvolvida por Zenão, tal como no caso do epicurismo. No século II a.C., Panécio trouxe significativas inovações ao estoicismo, inclusive graças ao contato com a cultura romana.[41] Além disso, Posidônio, que veio logo em seguida, também trouxe mutações à doutrina do estoicismo e supostamente, com uma escola em Rodes, suplantou a de Atenas e passou a ensinar jovens patrícios romanos, levando ainda mais da filosofia estoica para o mundo romano.[42] De fato, desenvolveu-se uma corrente romana do estoicismo bastante expressiva, através de SênecaEpiteto e do imperador Marco Aurélio.

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Cinismo

cinismo (do grego κυνικός, canino) era uma seita ascética de filósofos começando com Antístenes no século IV a.C. e até o século V d.C., ou seja, começou no período clássico, mas persistiu por todo o período helenístico. Eles defendiam que se deve viver uma vida de virtude, de acordo com a natureza, rejeitando todos os desejos convencionais de riqueza, poder político, força ou fama e viver uma vida livre de posses. O nome cinismo, é referência ao estilo de vida dos cachorros (kynos). Cultuavam a indiferença, a falta de pudor e culpa, mas cultivando amizades e expulsando seus inimigos.[43]

Para os cínicos, o objetivo da vida era a Eudaimonia, lucidez (ἁτυφια) e liberdade. Assim, os principais defeitos humanos são vistos como a ignorância, arrogância, insensatez, hubris e vaidade.[44]

Apenas no século XIX o sentido da palavra cinismo, passou a significar descrença na sinceridade e bondade dos homens.

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Escola Paripatética

Escola peripatética ou Peripatoi (do grego περιπατητικός, que caminha), fundada por Aristóteles, permaneceu existindo ao longo da época helenística.[45] Aristóteles morreu um ano após Alexandre e a direção do Liceu ficou a cargo de Teofrasto.[46] O pensamento aristotélico se manteve como base fundamental, embora novas tendências na noção de universalidade tenham se estabelecido.[47] Chegando ao século I a.C., Andrônico de Rodes gerou uma nova tendência para a filosofia, de produzir comentários acerca das obras do mestre, atendo-se destaque em particular à figura de Aristóteles.[48]

Para os peripatos o modo de obter a felicidade estava em encontrar a moderação (média) entre dois extremos (ausência e excesso). Assim, para uma vida de virtudes era importante um equilíbrio entre razão, hábitos e natureza. [49]

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Neopitagorismo

neopitagorismo surgiu no século I a.C., em que a doutrina pitagórica era revivida por alguns filósofos da época - logo, estaria assim incluída dentre as escolas filosóficas helenísticas.[50] Aparentemente, não haveria muita originalidade nessa doutrina, sendo ela apenas uma retomada do pitagorismo anterior, com suas características bem reconhecidas, dentre elas a valorização dos números como elementos essenciais para a compreensão e a constituição do universo e o misticismo,[51] caracterizado pela crença na mudança da alma de um corpo a outro.[52]

Considera-se também que, em seus textos, os representantes de tal doutrina teriam características que futuramente passaram a ser comuns ao neoplatonismo, que surgiria posteriormente.[53]

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Platonismo

Platonismo é o nome dado à filosofia mantida e desenvolvido pelos seguidores de Platão. O conceito central foi a teoria das formas: o transcendente, possui arquétipos perfeitos, dos quais objetos no mundo cotidiano são cópias imperfeitas. A forma mais elevada foi a Forma do Bem, a fonte do ser, que só pode ser conhecida pela razão.

No século III a.C., Arcesilau adotou o ceticismo, que se tornou um princípio central da escola até 90 a.C., quando Antíoco adicionou elementos estoicos, rejeitando ceticismo. Com a adoção do misticismo oriental no século III d.C., o platonismo evoluiu para neoplatonismo e teve grande influência sobre a filosofia cristã.[54]

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Ecletismo

ecletismo ( do grego eklektikos, eleger) foi uma abordagem da filosofia que, ao invés de ter suas próprias doutrinas rígidas, selecionava dentre as convicções filosóficas existentes, aquelas doutrinas que pareciam mais razoáveis para cada caso.[55]

Buscaram fazer um consenso entre as diversas outras escolas filosóficas. Alguns filósofos de outras escolas podem ser considerados ecléticos. Esse é o caso dos estoicos Panécio (150 a.C.) e Posidônio (75 a.C.) e dos novos acadêmicos Carneades (155 a.C.) e Filo de Larissa(75 a.C.).[56]

O sistema eclético, característico de culturas cosmopolitas como Roma, não se restringiu a filosofia, avançando pelas artes, ciências, religiões e política.

Representantes

filosofa helenistica
filosofia medieval

Filosofia Medieval

Na Idade Média, ocorreu um intenso sincretismo entre o conhecimento clássico e as crenças religiosas. De fato, uma das principais preocupações dos filósofos medievais foi a de fornecer argumentações racionais, espelhadas nas contribuições dos gregos, para justificar as chamadas verdades reveladas do cristianismo e do islamismo, tais como a da existência de Deus, a imortalidade da alma etc.

Principais períodos

Patrística (I–VII)

É um período que se caracteriza pelo resultado dos esforços dos apóstolos (João e Paulo) e dos primeiros Padres da Igreja para conciliar a nova religião com o pensamento filosófico mais corrente da época entre os gregos e os romanos. Atribuindo também, ideias como a criação do mundo, pecado original, encarnação e morte de Deus e juízo final. Não obstante, tomou como tarefa a defesa da fé cristã, frente as diversas críticas advindas de valores teóricos e morais dos “antigos”.

Os nomes mais salientes desse período são os de Justino MártirTertulianoClemente de AlexandriaOrígenesGregório de NazianzoBasílio de CesareiaGregório de Níssa. Eles representam a primeira tentativa de harmonizar determinados princípios da Filosofia grega (particularmente do Epicurismo, do Estoicismo e do pensamento de Platão) com a doutrina cristã. (...). Eles não só estavam envolvidos com a tradição cultural helênica como também conviviam com filósofos estoicos, epicuristas, peripatéticos (sofistas), pitagóricos e neoplatônicos. E não só conviviam, como também foram educados nesse ambiente multiforme da Filosofia grega ainda antes de suas conversões" [1]

Escolástica (IX-XVI)

A Filosofia Escolástica ou simplesmente Escolástica, é uma das vertentes da filosofia medieval. Surgiu na Europa no século IX e permaneceu até o início do Renascimento, no século XVI. O maior representante da Escolástica foi o teólogo e filósofo italiano São Tomás de Aquino conhecido como “Príncipe da Escolástica”.Além de ser uma corrente filosófica, a Escolástica pode ser considerada um método de pensamento crítico que influenciou as áreas do conhecimento das Universidades Medievais. Nesse método de aprendizagem diversas disciplinas estavam inseridas no currículo, as quais estavam divididas em:

  • Trivium: gramática, retórica e dialética.

  • Quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música.

Filosofia Medieval (VIII–XIV)

Período bastante influenciado pelo pensamento socrático e platônico (conhecido aqui como neoplatonismo, vindo da filosofia de Plotino). Ocupou-se em discutir e problematizar Questões Universais. É nesse período que o pensamento cristão firma-se como "Filosofia Cristã", que mais tarde se torna Teologia. Principais pensadores: São Tomás de Aquino e Santo Agostinho

Renascença (XIV–XVI)

É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade Média e novas obras de Aristóteles, ainda temos a recuperação de trabalhos de grandes autores e artistas gregos e romanos. São quatro as linhas de pensamento: Neoplatonismo e HermetismoPensamentos florentinos e por fim o Antropocentrismo iniciático (homem dono do seu destino).

Foi um período marcado por uma efervescência teórica prática, alimentada principalmente por descobertas marítimas e crises político-culturais que culminaram em profundas críticas à Igreja Católica, que logo evoluíram para Reforma Protestante (a Igreja Católica responde com a Contra-Reforma e com a Inquisição).​​

Filosofia do Renascimento

A filosofia do renascimento foi o período da história da filosofia na Europa que está situado entre a Idade Média e o Iluminismo. Ele inclui o século XV; alguns estudiosos estendem o seu começo a década de 1350 e o seu término ao final do século XVI ou ao começo do século XVII, sobrepondo a Reforma e a Idade Moderna. Entre os elementos distintivos da filosofia do renascimento cultural estão o renascimento da educação e civilização clássica e um retorno parcial à autoridade de Platão sobre Aristóteles (que dominou a filosofia medieval).

O período foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana que assinalam o final da idade média e o inicio da idade moderna. Apesar dessas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade econômica, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais habitualmente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e na ciência.

A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi marcada pelo Renascimento e pelo Humanismo.[54] Nesse período de transição, a redescoberta de textos da Antiguidade[55] contribuiu para que o interesse filosófico saísse dos estudos técnicos de lógicametafísica e teologia e se voltasse para estudos ecléticos nas áreas da filologia, da moralidade e do misticismo. Os estudos dos clássicos e das letras receberam uma ênfase inédita e desenvolveram-se de modo independente da escolástica tradicional. A produção e disseminação do conhecimento e das artes deixam de ser uma exclusividade das universidades e dos acadêmicos profissionais, e isso contribui para que a filosofia vá aos poucos se desvencilhando da teologia. Em lugar de Deus e da religião, o conceito de homem assume o centro das ocupações artísticas, literárias e filosóficas.[56]

O renascimento revigorou a concepção da natureza como um todo orgânico, sujeito à compreensão e influência humanas. De uma forma ou de outra, essa concepção está presente nos trabalhos de Nicolau de CusaGiordano BrunoBernardino Telesio e Galileu Galilei. Essa reinterpretação da natureza é acompanhada, em muitos casos, de um intenso interesse por magiahermetismo e astrologia – considerados então como instrumentos de compreensão e manipulação da natureza.

 

À medida que a autoridade eclesial cedia lugar à autoridade secular e que o foco dos interesses voltava-se para a política em detrimento da religião, as rivalidades entre os Estados nacionais e as crises internas demandavam não apenas soluções práticas emergenciais, mas também uma profunda reflexão sobre questões pertinentes à filosofia política. Desse modo, a filosofia política, que por vários séculos esteve dormente, recebeu um novo impulso durante o Renascimento. Nessa área, destacam-se as obras de Nicolau Maquiavel e Jean Bodin.[57]

Filósofos famosos

Movimentos notáveis

renascimento
filosofia barroca

Filosofia do século XVII

A filosofia do século XVII é tradicionalmente vista como o início da Filosofia Moderna, pois nesse século o conceito de subjetividade se solidifica, a moderna epistemologia surge e ocorre a ruptura intelectual com a doutrina Escolástica. A partir da ruptura com Aristóteles novas metodologias surgem: Francis Bacon inaugura o método indutivo enquanto René Descartes reconstrói uma metafísica de caráter epistemológico a partir do sujeito ordenador do conhecimento. Assim, opõem-se doutrinas epistemológicas, uma vez que Bacon precede o empirismo enquanto Descartes, o racionalismo. Esse período sucede a filosofia do Renascimento (está de certo modo preso às doutrinas da filosofia antiga) e antecede para alguns autores o Iluminismo. Para outros é nesse século que se delineia o "Período das Luzes", e, portanto, os séculos XVII e XVIII teriam uma era intelectual em comum.

 

Europa

 

O século XVII é quase sempre estudado levando-se em conta a obra de René Descartes em especial, pois tanto ele influenciou grande parte dos pensadores dos séculos seguintes como inaugurou vários tópicos filosóficos e científicos importantes até os dias de hoje. A partir de novas metodologias constrõem-se grandes sistemas filosóficos unificadores de vários campos como a epistemologiametafísicalógica e ética, e às vezes política e ciências naturaisImmanuel Kant classificou seus antecessores em duas escolas: empiristas e racionalistas. Supõe-se que havia uma rivalidade nomeadamente explícita entre os dois grupos, no entanto, eles próprios não se categorizavam uns aos outros. Essa divisão é uma grande simplificação do pensamento nesse século.

Os três racionalistas principais são Descartes, Bento de Espinosa e Gottfried Wilhelm Leibniz. Depois de Francis Bacon e Thomas Hobbes, vieram os posteriores empiristas John LockeGeorge Berkeley e David Hume. Os anteriores eram distintos pela convicção que, em princípio, todo (embora não em prática) o conhecimento pode ser ganho só pelo poder de nossa razão; os posteriores rejeitaram isto, enquanto acreditavam que todo o conhecimento tem que passar pelos senso de experiência de vida.

 

Filósofos

 

filosofia iluminista

Filosofia Iluminista

 

O iluminismo, também conhecido como século das luzes[1] e ilustração,[2][3][4][5] foi um movimento intelectual e filosófico que dominou o mundo das ideias na Europa durante o século XVIII, "O Século da Filosofia".[6]

O Iluminismo incluiu uma série de ideias centradas na razão como a principal fonte de autoridade e legitimidade e defendia ideais como liberdadeprogressotolerânciafraternidadegoverno constitucional e separação Igreja-Estado.[7][8] Na França, as doutrinas centrais dos filósofos do Iluminismo eram a liberdade individual e a tolerância religiosa em oposição a uma monarquia absoluta e aos dogmas fixos da Igreja Católica Romana. O Iluminismo foi marcado por uma ênfase no método científico e no reducionismo, juntamente com o crescente questionamento da ortodoxia religiosa - uma atitude capturada pela frase Sapere aude (em português: "Atreva-se a conhecer".[9]

 

Os historiadores franceses tradicionalmente colocam o período do Iluminismo entre 1715 (o ano em que Luís XIV morreu) e 1789 (o início da Revolução Francesa). Alguns historiadores recentes, no entanto, defendem o período da década de 1620, com o início da Revolução Científica. Les philosophes (francês para "os filósofos") do período circularam amplamente suas ideias através de encontros em academias científicas, lojas maçônicas, salões literários, cafés e em livros impressos e panfletos. As idéias do Iluminismo minaram a autoridade da monarquia e da Igreja e prepararam o caminho para as revoluções políticas dos séculos XVIII e XIX. Uma variedade de movimentos do século XIX, incluindo o liberalismo e o neo-classicismo, rastreiam a sua herança intelectual ao Iluminismo.[10]

 

A Era da Iluminação foi precedida e estreitamente associada à Revolução Científica.[11] Filósofos anteriores cujo trabalho influenciaram o Iluminismo incluíram Francis BaconRené DescartesJohn Locke e Baruch Spinoza.[12] As principais figuras do Iluminismo incluíram Cesare BeccariaVoltaireDenis DiderotJean-Jacques RousseauDavid HumeAdam Smith e Immanuel Kant. Alguns governantes europeus, incluindo Catarina II da RússiaJosé II da Áustria e Frederico II da Prússia, tentaram aplicar o pensamento iluminista sobre a tolerância religiosa e a política, o que se tornou conhecido como "absolutismo esclarecido".[13] Benjamin Franklin visitou a Europa repetidamente e contribuiu ativamente para os debates científicos e políticos e trouxe as novas ideias de volta à FiladélfiaThomas Jefferson seguiu de perto as ideias europeias e depois incorporou alguns dos ideais do Iluminismo na Declaração da Independência dos Estados Unidos (1776). Um de seus pares, James Madison, incorporou esses ideais na Constituição dos Estados Unidos durante a sua concepção em 1787.[14]

 

A publicação mais influente do Iluminismo foi Encyclopédie (Enciclopédia). Publicado entre 1751 e 1772 em 35 volumes, foi compilado por Denis DiderotJean le Rond d'Alembert (até 1759) e um grupo de 150 cientistas e filósofos. Isto ajudou a espalhar as ideias do Iluminismo em toda a Europa e além.[15] Outras publicações de referência foram o Dictionnaire philosophique de Voltaire (Dicionário filosófico, 1764) e Cartas Filósoficas (1733); Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens de Rousseau (1754) e Do Contrato Social(1762); A Riqueza das Nações de Adam Smith (1776); e o O Espírito das Leis de Montesquieu (1748). As ideias do Iluminismo desempenharam um papel importante na inspiração da Revolução Francesa, que começou em 1789. Após a Revolução, o Iluminismo foi seguido pelo movimento intelectual conhecido como romantismo.

 

filosofia moderna

Filosofia Moderna

A filosofia moderna é caracterizada pela preponderância da epistemologia sobre a metafísica. A justificativa dos filósofos modernos para essa alteração estava, em parte, na ideia de que, antes de querer conhecer tudo o que existe, seria conveniente conhecer o que se pode conhecer.[58]

Geralmente considerado como o fundador da filosofia moderna,[59] o cientista, matemático e filósofo francês René Descartes (1596-1650) redirecionou o foco da discussão filosófica para o sujeito pensante. O projeto de Descartes era o de assentar o edifício do conhecimento sobre bases seguras e confiáveis. Para tanto, acreditava ele ser necessário um procedimento prévio de avaliação crítica e severa de todas as fontes do conhecimento disponível, num procedimento que ficou conhecido como dúvida metódica. Segundo Descartes, ao adotar essa orientação, constatamos que resta como certeza inabalável a ideia de um eu pensante: mesmo que o sujeito ponha tudo em dúvida, se ele duvida, é porque pensa; e, se pensa, é porque existe. Essa linha de raciocínio foi celebrizada pela fórmula “penso, logo existo” (cogito ergo sum).[60][61] A partir dessa certeza fundamental, Descartes defendia ser possível deduzir rigorosamente, ao modo de um geômetra, outras verdades fundamentais acerca do sujeito, da natureza do conhecimento e da realidade.

No projeto cartesiano estão presentes três pressupostos básicos: (1) a matemática, ou o método dedutivo adotado pela matemática, é o modelo a ser seguido pelos filósofos; (2) existem ideias inatas, absolutamente verdadeiras, que de alguma forma estão desde sempre inscritas no espírito humano; (3) a descoberta dessas ideias inatas não depende da experiência – elas são alcançadas exclusivamente pela razão. Esses três pressupostos também estão presentes nas filosofias de Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716), Christian Wolff (1679-1754) e Baruch Spinoza(1632-1677), e constituem a base do movimento filosófico denominado racionalismo.[62]

Se os racionalistas priorizavam o modelo matemático, a filosofia antagônica – o empirismo – enfatizava os métodos indutivos das ciências experimentais. O filósofo John Locke(1632-1704) propôs a aplicação desses métodos na investigação da própria mente humana. Em patente confronto com os racionalistas, Locke argumentou que a mente chega ao mundo completamente vazia de conteúdo – é uma espécie de lousa em branco ou tabula rasa; e todas as ideias com que ela trabalha são necessariamente originárias da experiência.[63] Esse pressuposto também é adotado pelos outros dois grandes filósofos do empirismo britânico, George Berkeley (1685-1753) e David Hume (1711-1776). John Locke influenciou também a filosofia política, sendo um dos principais teóricos na base do conceito moderno de democracia liberal.[64]

As ideias do empirismo inglês também se difundiram na França; e o entusiasmo com as novas ciências levou os intelectuais franceses a defender uma ampla reforma cultural, que remodelasse não só a forma de se produzir conhecimento, mas também as formas de organização social e política. Esse movimento amplo e contestatório ficou conhecido como Iluminismo. Os filósofos iluministas rejeitavam qualquer forma de crença que se baseasse apenas na tradição e na autoridade, em especial as divulgadas pela Igreja Católica. Um dos marcos do Iluminismo francês foi a publicação da Encyclopédie. Elaborada sob a direção de Jean le Rond d’Alembert e Denis Diderot, essa obra enciclopédica inovadora incorporou vários dos valores defendidos pelos iluministas e contou com a colaboração de vários de seus nomes mais destacados, como VoltaireMontesquieu e Rousseau.

Em 1781, Immanuel Kant publicou a sua famosa Crítica da Razão Pura, em que propõe uma espécie de síntese entre as teses racionalistas e empiristas. Segundo Kant, apesar de o nosso conhecimento depender de nossas percepções sensoriais, essas não constituem todo o nosso conhecimento, pois existem determinadas estruturas do sujeito que as antecedem e tornam possível a própria formação da experiência. O espaço, por exemplo, não é uma realidade que passivamente assimilamos a partir de nossas impressões sensoriais. Ao contrário, somos nós que impomos uma organização espacial aos objetos.

 

Do mesmo modo, o sujeito não aprende, após inúmeras experiências, que todas as ocorrências pressupõem uma causa; antes, é a estrutura peculiar do sujeito que impõe aos fenômenos uma organização de causa e efeito. Uma das consequências da filosofia kantiana é estabelecer que as coisas em si mesmas não podem ser conhecidas. A fronteira de nosso conhecimento é delineada pelos fenômenos, isto é, pelos resultados da interação da realidade objetiva com os esquemas cognitivos do sujeito.

Filosofia Moderna é toda a filosofia que se desenvolveu durante os séculos XVXVIXVIIXVIIIXIX; começando pelo Renascimento e se estendendo até meados do século XIX, mas a filosofia desenvolvida dentro desse período está fragmentada em vários subtópicos, e escolas de diferentes períodos, tais como:

Na modernidade passou-se a delinear melhor os limites do estudo filosófico. Inicialmente, como atestam os subtítulos de obras tais como as Meditações de René Descartes e o Tratado de George Berkeley, ainda se fazia referência a questões tais como a da prova da existência de Deus e da existência e imortalidade da alma. Do mesmo modo, os filósofos do início da modernidade ainda pareciam conceber suas teorias filosóficas ou como fornecendo algum tipo de fundamento para uma determinada concepção científica (caso de Descartes), ou bem como um trabalho de "faxina” necessário para preparar o terreno para a ciência tomar seu rumo (caso de John Locke), ou ainda como competindo com determinada conclusão ou método científico (caso de Berkeley, em The Analyst, no qual ele criticou o cálculo newtoniano-leibniziano – mais especificamente, à noção de infinitesimal – e de David Hume com o tratamento matemático do espaço e do tempo).

 

Gradualmente, contudo, a filosofia moderna foi deixando de se voltar ao objetivo de aumentar o conhecimento material, i.e., de buscar a descoberta de novas verdades – isso é assunto para a ciência – bem como de justificar as crenças religiosas racionalmente. Em obras posteriores, especialmente a de Immanuel Kant, a filosofia claramente passa a ser encarada antes como uma atividade de clarificação das próprias condições do conhecimento humano: começava assim a chamada "virada epistemológica".

Filosofia da Renascença é o período da História da Filosofia que na Europa está entre a Idade média e o Iluminismo. Isso inclui o século XV; alguns estudiosos a estendem até os princípios do ano de 1350 até os últimos anos do século XVI, ou o começo do século XVII (depois de cristo), sobrepondo as Reformas religiosas e os princípios da idade moderna. Dentre os elementos distintivos da Filosofia da renascença está a renovação (renascença significa "renascimento") à civilização clássica e o seu aprendizado; um parcial retorno de Platão sobre Aristóteles, que havia predominado sobre a Filosofia Medieval; e dentre alguns filósofos, havia o entusiasmo pelo ocultismo e o Hermetcismo.

Com todos esses períodos, há um extenso período de datas, razões por categorização, e limites dos eventos relatados. Em particular, o renascimento, principalmente nos últimos períodos, que começou na Itália com o Renascimento Italiano, se espalhou por toda a europa. O renascimento Inglês inclui geralmente em seus pensadores Shakespeare, mesmo no tempo em que a Itália estava passando pelo maneirismo para o Barroco. Como um movimento importante do Século XVI ele foi suscetível para várias divisões.

 

Alguns historiadores observam que as Reformas e as contra-Reformas são marcos do final da renascença e os mais importantes para a Filosofia, enquanto outros a veem como um único e extenso período. A filosofia do renascimento foi criada no século XIV, depois desse criamento, a filosofia do renascimento passou a ser chamada de filosofia de rances ou filosofia do viver.

A Filosofia do século XVII é, no ocidente, considerada como a visão do princípio da filosofia moderna, e o distanciamento do pensamento medieval, especialmente da Escolástica. Frequentemente é chamada de "idade da razão" e é considerada a sucessora da renascença e precedente do iluminismo. Alternativamente, ela pode ser vista como uma visão prévia do Iluminismo.

O Iluminismo ou filosofia do século XVIII foi um movimento filosófico do século XVIII na Europa e em alguns países americanos, e nos seus mais distantes períodos também inclui a Idade da razão.O termo pode se referir simplesmente ao movimento intelectual do Iluminismo que defendia a razão como base primária da autoridade. Desenvolvida na FrançaGrã-Bretanha e Alemanha, o seu círculo de influências também incluíram a AustriaItália, os Países BaixosPolôniaRússiaEscandináviaEspanha e em fato, toda a Europa. Muitos dos Fundadores dos Estados Unidos foram fortemente influenciados pelas ideias iluministas, principalmente na esfera religiosa (Deísmo) e, paralelamente com o Liberalismo Clássico, na esfera política (que teve grande influência na Carta de diretos, em paralelo com a Declaração de direitos do Homem e do Cidadão).

O período do iluminismo geralmente encerra-se entre os anos de 1800, e o começo das Guerras napoleônicas (1804-1815).

No século XVIII, os filósofos do Iluminismo começaram a exercer um efeito dramático, tendo como ponto de referência o trabalho de filósofos como Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau, e isso influenciou uma nova geração de pensadores. No final do século XVIII, um movimento conhecido como Romantismo surgiu para reunir o formalismo racional do passado, com uma grande, maior e imediata visão emocional do mundo. Ideias chaves que mostraram essa mudança foram a evolução, como foi proposta por Jean-Baptiste de LamarckErasmus Darwin, e Charles Darwin, que podem agora ser chamada de ordem emergente como o mercado Livre de Adam Smith. Pressões do Igualitarismo, e as mais rápidas mudanças culminaram em um período de revolução e turbulência em que poderiam ser bem visíveis as mudanças da filosofia.​

 

Filosofia no século XIX

Geralmente se considera que depois da filosofia de Kant tem início uma nova etapa da filosofia, que se caracterizaria por ser uma continuação e, simultaneamente, uma reação à filosofia kantiana. Nesse período desenvolve-se o idealismo alemão (FichteSchelling e Hegel), que leva as ideias kantianas às últimas consequências. A noção de que há um universo inteiro (a realidade em si mesma) inalcançável ao conhecimento humano, levou os idealistas alemães a assimilar a realidade objetiva ao próprio sujeito no intuito de resolver o problema da separação fundamental entre sujeito e objeto.

 

Assim, por exemplo, Hegel postulou que o universo é espírito. O conjunto dos seres humanos, sua história, sua arte, sua ciência e sua religião são apenas manifestações desse espírito absoluto em sua marcha dinâmica rumo ao autoconhecimento.[65] Enquanto na Alemanha, o idealismo apoderava-se do debate filosófico, na França, Auguste Comte retomava uma orientação mais próxima das ciências e inaugurava o positivismo e a sociologia. Na visão de Comte, a humanidade progride por três estágios: o estágio teológico, o estágio metafísico e, por fim, o estágio positivo. No primeiro estágio, as explicações são dadas em termos mitológicos ou religiosos; no segundo, as explicações tornam-se abstratas, mas ainda carecem de cientificidade; no terceiro estágio, a compreensão da realidade se dá em termos de leis empíricas de “sucessão e semelhança” entre os fenômenos.[66] Para Comte, a plena realização desse terceiro estágio histórico, em que o pensamento científico suplantaria todos os demais, representaria a aquisição da felicidade e da perfeição.[67]

Também no campo do desenvolvimento histórico, Marx e Engels davam uma nova formulação ao socialismo. Eles fazem uma releitura materialista da dialética de Hegel no intuito de analisar e condenar o sistema capitalista. Desenvolvem a teoria da mais-valia, segundo a qual o lucro dos capitalistas dependeria inevitavelmente da exploração do proletariado. Sustentam que o estado, as formas político-institucionais e as concepções ideológicas formavam uma superestrutura construída sobre a base das relações de produção[68] e que as contradições resultantes entre essa base econômica e a superestrutura levariam as sociedades inevitavelmente à revolução e ao socialismo.

No campo da ética, os filósofos ingleses Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873) elaboram os princípios fundamentais do utilitarismo.[69] Para eles, o valor ético não é algo intrínseco à ação realizada; esse valor deve ser mensurado conforme as consequências da ação, pois a ação eticamente recomendável é aquela que maximiza o bem-estar na coletividade.

Talvez a teoria que maior impacto filosófico provocou no século XIX não tenha sido elaborada por um filósofo. Ao propor sua teoria da evolução das espécies por seleção naturalCharles Darwin (1809-1882) estabeleceu as bases de uma concepção de mundo profundamente revolucionária. O filósofo que melhor percebeu as sérias implicações da teoria de Darwin para todos os campos de estudo foi Herbert Spencer (1820-1903). Em várias publicações, Spencer elaborou uma filosofia evolucionista que aplicava os princípios da teoria da evolução aos mais variados assuntos, especialmente à psicologia, ética e sociologia.

Também no século XIX surgem filósofos que colocam em questão a primazia da razão e ressaltam os elementos voluntaristas e emotivos do ser humano e de suas concepções de mundo e sociedade. Entre esses destacam-se Arthur Schopenhauer (1788-1860), Søren Kierkgaard (1813-1855) e Friedrich Nietzsche (1844-1900). Tomando como ponto de partida a filosofia kantiana, Schopenhauer defende que o mundo dos fenômenos – o mundo que representamos em ideias e que julgamos compreender – não passa de uma ilusão e que a força motriz por trás de todos os nossos atos e ideias é uma vontade cega, indomável e irracional. Kierkgaard condena todas as grandes elaborações sistemáticas, universalizantes e abstratas da filosofia.

 

Considerado um precursor do existencialismo, Kierkgaard enfatiza que as questões prementes da vida humana só podem ser superadas por uma atitude religiosa; essa atitude, no entanto, demanda uma escolha individual e passional contra todas as evidências, até mesmo contra a razão.[70] Nietzsche, por sua vez, anuncia que “Deus está morto”; e declara, portanto, a falência de todas as concepções éticas, políticas e culturais que se assentam na doutrina cristã. Em substituição aos antigos valores, Nietzsche prescreve um projeto de vida voluntarista aos mais nobres, mais capazes, mais criativos - em suma, àqueles em que fosse mais forte a vontade de potência.[71]

 

Filosofia pós moderna

Filosofia Pós-Moderna refere-se à uma tendência nova e complexa de pensamento. Começando como uma crítica da Filosofia continental, foi influenciado pesadamente por fenomenologiaestruturalismo e existencialismo, inclusive escritos de Søren KierkegaardFriedrich Nietzsche e Martin Heidegger. A filosofia pós-moderna é cética de muitos valores e bases da Filosofia analítica; um exemplo é que um pós-modernista poderia negar que o complexo sistema de significados incorporados em condições normais ou em linguagens filosóficas poderiam ser representadas na lógica anotação (alguns podem até mesmo negar qualquer noção tradicional de "significado" totalmente).

A filosofia pós-moderna é frequentemente cética particularmente com a característica de oposições binárias simples de estruturalismo, enquanto enfatiza o problema do conhecimento filosófico completamente distintivo da ignorância, do progresso social de reversão, do domínio de submissão e da presença de ausência.

Embora a ideia de pós-modernismo havia sido dada a cerca de 1940, a pós filosofia origina-se principalmente na França, em meados do século XX como uma rejeição do Hegelianismo da idade. No entanto, vários filósofos antecedentes informavam muitas das preocupações da filosofia pós-moderna.

 

Foi certamente influenciado pelos escritos de Søren Kierkegaard e Friedrich Nietzsche durante o século XIX e no início do século XX por outros filósofos, incluindo Edmund Husserl e Martin Heidegger, o psicanalista Jacques Lacan, o estruturalista Roland Barthes, o filósofo analítico Ludwig Wittgenstein.

Filosofia no século XX

No século XX, a filosofia tornou-se uma disciplina profissionalizada das universidades, semelhante às demais disciplinas acadêmicas. Desse modo, tornou-se também menos geral e mais especializada. Na opinião de um proeminente filósofo: “A filosofia tem se tornado uma disciplina altamente organizada, feita por especialistas para especialistas. O número de filósofos cresceu exponencialmente, expandiu-se o volume de publicações e multiplicaram-se as subáreas de rigorosa investigação filosófica. Hoje, não só o campo mais amplo da filosofia é demasiadamente vasto para uma única mente, mas algo similar também é verdadeiro em muitas de suas subáreas altamente especializadas.”[72] Nos países de língua inglesa, a filosofia analítica tornou-se a escola dominante.

Na primeira metade do século, foi uma escola coesa, fortemente modelada pelo positivismo lógico, unificada pela noção de que os problemas filosóficos podem e devem ser resolvidos por análise lógica. Os filósofos britânicos Bertrand Russell e George Edward Moore são geralmente considerados os fundadores desse movimento. Ambos romperam com a tradição idealista que predominava na Inglaterra em fins do século XIX e buscaram um método filosófico que se afastasse das tendências espiritualistas e totalizantes do idealismo. Moore dedicou-se a analisar crenças do senso comum e a justificá-las diante das críticas da filosofia acadêmica.

 

Russell, por sua vez, buscou reaproximar a filosofia da tradição empirista britânica e sintonizá-la com as descobertas e avanços científicos. Ao elaborar sua teoria das descrições definidas, Russell mostrou como resolver um problema filosófico empregando os recursos da nova lógica matemática. A partir desse novo modelo proposto por Russell, vários filósofos se convenceram de que a maioria dos problemas da filosofia tradicional, se não todos, não seriam nada mais que confusões propiciadas pelas ambiguidades e imprecisões da linguagem natural. Quando tratados numa linguagem científica rigorosa, esses problemas revelar-se-iam como simples confusões e mal-entendidos.

Uma postura ligeiramente diferente foi adotada por Ludwig Wittgenstein, discípulo de Russell. Segundo Wittgenstein, os recursos da lógica matemática serviriam para revelar as formas lógicas que se escondem por trás da linguagem comum. Para Wittgenstein, a lógica é a própria condição de sentido de qualquer sistema linguístico.[73] Essa ideia está associada à sua teoria pictórica do significado, segundo a qual a linguagem é capaz de representar o mundo por ser uma figuração lógica dos estados de coisas que compõem a realidade.

Sob a inspiração dos trabalhos de Russell e de Wittgenstein, o Círculo de Viena passou a defender uma forma de empirismo que assimilasse os avanços realizados nas ciências formais, especialmente na lógica. Essa versão atualizada do empirismo tornou-se universalmente conhecida como neopositivismo ou positivismo lógico. O Círculo de Viena consistia numa reunião de intelectuais oriundos de diversas áreas (filosofia, física, matemática, sociologia, etc.) que tinham em comum uma profunda desconfiança em relação a temas de teor metafísico. Para esses filósofos e cientistas, caberia à filosofia elaborar ferramentas teóricas aptas a esclarecer os conceitos fundamentais das ciências e revelar os pontos de contatos entre os diversos ramos do conhecimento científico. Nessa tarefa, seria importante mostrar, entre outras coisas, como enunciados altamente abstratos das ciências poderiam ser rigorosamente reduzidos a frases sobre a nossa experiência imediata.[74]

Fora dos países de língua inglesa, floresceram diferentes movimentos filosóficos. Entre esses destacam-se a fenomenologia, a hermenêutica, o existencialismo e versões modernas do marxismo. Para Edmund Husserl, o traço fundamental dos fenômenos mentais é a intencionalidade. A estrutura da intencionalidade é constituída por dois elementos: noesis e noema. O primeiro elemento é o ato intencional; e o segundo é o objeto do ato intencional. A ciência da fenomenologia trata do significado ou da essência dos objetos da consciência.

 

A fim de revelar a estrutura da consciência, o fenomenólogo deve pôr entre parêntesis a realidade empírica. Segundo Husserl, os procedimentos fenomenológicos desvelam o ego transcendental – que é a própria base e fonte de unidade do eu empírico.[75] Coube a um dos alunos de Husserl, o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), construir uma filosofia que mesclasse a fenomenologia, a hermenêutica e o existencialismo. O ponto de partida de Heidegger foi a questão clássica da metafísica: "o que é o ser?". Mas, na abordagem de Heidegger, a resposta a essa questão passa por uma análise dos modos de ser do ser humano – que foi por ele denominado Dasein (Ser-aí). O Dasein é o único ser que pode se admirar com a sua própria existência e indagar o sentido de seu próprio ser.

O modo de existir do Dasein está intimamente conectado com a história e a temporalidade e, em vista disso, questões sobre autenticidade, cuidado, angústiafinitude e mortetornam-se temas centrais na filosofia de Heidegger.[75]

No final do século XVIII houve a fundação da escola tradicionalista, conhecida como conservadorismo tradicionalista, "conservadorismo tradicional", tradicionalismo, conservadorismo burkeano , conservadorismo clássico ou (no Reino Unido e Canadá) torismo (de Tory), que descreve uma filosofia política enfatizando a necessidade de aplicação dos princípios da lei natural e transcendentes morais: ordem, tradiçãohierarquia e unidade orgânica, classicismo e alta cultura, e as esferas de intersecção de lealdade.[76]

Alguns tradicionalistas abraçaram os rótulos de "reacionário" e "contrarrevolucionário", desafiando o estigma que acompanha estes termos desde o Iluminismo. Este estigma acompanha o Tradicionalismo desde seu desenvolvimento na Europa do século XVIII, principalmente em resposta à Guerra Civil Inglesa e da Revolução Francesa.

Em meados do século XX, a escola tradicionalista começou a organizar-se a sério como uma força intelectual e política. Esta expressão mais moderna do conservadorismo tradicionalista começou entre um grupo de professores universitários dos EUA (rotulado de "novos conservadores" pela imprensa popular) que rejeitou as noções de individualismo, o liberalismo, a modernidade e o progresso social, promoveu a renovação cultural e educacional, e reavivou o interesse na Igreja, a família, o Estado, comunidade local, etc.[77]

 

 

Movimentos filosóficos da atualidade

 

Filosofia clínica

filosofia clínica é um termo utilizado para definir diversos conceitos filosóficos, voltado à "terapia da alma", usando o potencial prático da filosofia como recurso terapêutico para indivíduos, organizações ou empresas através de consultas individuais, discussões de grupo, seminários, palestras, viagens ou cafés filosóficos. No Brasil o termo está fortemente vinculado ao movimento realizado pelo filósofo Lúcio Packter e vem sendo apontado como uma ferramenta terapêutica de grande monta.[78]

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