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Geografia Do Brasil
Geografia do Brasil
Geografia do Brasil
Geografia do Brasil refere-se aos aspectos físicos naturais do país que, com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão, é o quinto maior país do mundo. Localizado na América do Sul, seu relevo apresenta-se relativamente suave, composto por grandes bacias sedimentares, das quais destaca-se a bacia Amazônica, cercada por planaltos de altitudes moderadas. O ponto culminante do Brasil é o Pico da Neblina, com 2 994 m acima do nível do mar. De forma geral, a origem geológica do território é antiga, cujas formas de relevo suaves são resultados do contínuo intemperismo dos escudos cristalinos.
Situado na zona tropical, ocorre o predomínio de climas quentes em boa parte do território, embora a pluviosidade varie desde regiões úmidas ao semiárido. No sul do Brasil, onde são registradas as menores temperaturas do país, o clima é subtropical. A abundância de chuvas em boa parte do território favorece a manutenção de uma das maiores redes hidrográficas do planeta, colocando o Brasil como principal detentor do potencial hídrico mundial. Grandes rios, como o Amazonas, São Francisco, Araguaia e Paraná, são os principais de suas grandes bacias de drenagem. Contudo, eventualmente o país enfrenta problemas dos extremos climáticos, como secas e inundações.
O Brasil é banhado pelo oceano Atlântico a leste, em um litoral com trechos pouco recortados e com algumas centenas de ilhascosteiras. Somente cinco conjunto de ilhas estão mais afastadas da costa, dentre as quais o arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas.
A diversidade climática propicia ainda a existência de uma rica biodiversidade, atestada pela alta densidade de espécies nos principais biomas. Destaca-se a Floresta Amazônica, no norte do país, onde um complexo equilíbrio ecológico proporciona a manutenção da maior floresta tropical do mundo. Ao longo do litoral, restam somente fragmentos da Mata Atlântica, desmatadadesde o início da colonização. As plantas e animais do cerrado e da caatinga adaptaram-se aos períodos prolongados de seca que comumente atingem a faixa central do país.
Dsitribuição e Localização de Território
Abrangendo uma área territorial de 8 515 767,049 km² (com inclusão das águas internas),[2] o Brasil é o país de maior extensão da América do Sul. É ainda o terceiro das Américas e o quinto do mundo: apenas a Rússia, o Canadá, a República Popular da China e os Estados Unidos (com Alasca e Havaí) são mais extensos.[3][4] É muito grande que em seu território teriam cabido nações enormes como a Índia e a Austrália,[4] e, por ser territorialmente muito extenso, o Brasil é tido como um país continental, ou seja, um país cujas dimensões geográficas são proporcionalmente continentais, sendo que seu território abrange 1,7% da área do globo terrestre, 5,7% das terras emersas da Terra, 20,8% da área das Américas e 47,3% do subcontinente sul-americano.[4]
Possivelmente é considerada tanto vantajosa quanto desvantajosamente a condição de país continental, no caso brasileiro. Por um lado, possui um grande espaço geográfico, com solos, climas e potencialidades produtivas diversificadas. Ao mesmo tempo, são encaradas dificuldades para a integração das populações habitantes desse território inteiro e para o atendimento às suas necessidades, o que, na sociedade, possivelmente é considerado como desvantagem.[5]
Mesmo assim, o espaço físico do Brasil é tido como único fora do comum, uma vez que é quase todo vantajoso, não tendo desertos, geleiras ou cordilheiras — as denominadas áreas anecúmenas, que não permitem que o território seja plenamente ocupado —, da mesma forma que acontece com a maioria dos países bem grandes da Terra.
No Canadá, exemplificando, ocorrem certas áreas deste tipo, como a Ilha de Baffin e a Ilha Ellesmere, invadidas por geleiras; nos Estados Unidos, os desertos do Arizona e do Colorado.[6] Mas as florestas equatoriais igualmente são tidas como áreas anecúmenas por geógrafos, porque quaisquer dos desastres naturais não permitem que a agricultura e a pecuária sejam econômica e vantajosamente implantadas, porque o índice de fertilidade dos solos é pequeno e uma vez que há uma grande quantidade de pragas e moléstias. Assim, somente a Amazônia é uma região onde há limitação no aproveitamento ocupacional, já que as condições da floresta equatorial amazônica são desvantajosas.[6]
Localização, fronteiras e pontos extremos
Marco Zero, que marca o local por onde passa a linha do equador em Macapá.
O território brasileiro é cortado por dois círculos imaginários: a linha do equador, que passa pela embocadura do Amazonas, e o Trópico de Capricórnio, que corta o município de São Paulo. Assim, possui a maior parte do seu território situado no hemisfério sul (93%), na zona tropical (92%), a menor parte no hemisfério norte (7%) e a outra na zona temperada do sul (8%).[7]
Situa-se entre os paralelos 5°16'19" de latitude norte e 33°45'09" de latitude sul e entre os meridianos 34°45'54" de longitude leste e 73°59'32" de longitude oeste.[8] Como o Brasil tem o formato aproximado de um gigantesco triângulo, é mais extenso no sentido leste-oeste do que no sentido norte-sul. Entretanto, como essas distâncias são quase iguais, costuma-se dizer que o Brasil é um país equidistante: a distância leste-oeste em linha reta alcança 4 328 km e norte-sul 4 320 km.[6]
Farol do Cabo Branco, em João Pessoa, representa o ponto mais extremo oriental das américas[9].
O país ocupa uma vasta área ao longo da costa leste da América do Sul e inclui grande parte do interior do continente,[10] compartilhando fronteiras terrestres com Uruguai ao sul; Argentina e Paraguai a sudoeste; Bolívia e Peru a oeste; Colômbia a noroeste e Venezuela, Suriname, Guyana e com o departamento ultramarino francês da Guyana Francesa ao norte. Compartilha uma fronteira comum com todos os países da América do Sul, exceto Equador e Chile, e engloba uma série de arquipélagos oceânicos, como Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz.[1] Totalizam-se então 23 086 km de fronteira, sendo 15 791 km terrestres e 7 367 km marítimas.[6] Os pontos extremos do território brasileiro são:[11][12]
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Ao norte, a nascente do rio Ailã, no monte Caburaí, estado de Roraima (5° 16' de latitude norte), na fronteira com a Guyana;[11]
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Ao sul, o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul (33° 45' de latitude sul), fronteira com o Uruguai;[11]
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O extremo leste da parte continental do Brasil é a Ponta do Seixas, em João Pessoa, na Paraíba (34° 47' de longitude oeste); porém, os arquipélagos de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz ficam ainda mais a leste, sendo o extremo leste absoluto do território brasileiro uma ponta sem nome na Ilha do Sul do arquipélago de Martim Vaz, a cerca de 28° 50' de longitude oeste;[11]
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A oeste, a serra da Contamana ou do Divisor, no Acre (73° 59' de longitude oeste), na fronteira com o Peru.[11]
Divisão política
Ver artigo principal: Subdivisões do Brasil
Evolução da divisão administrativa do Brasil.
O Brasil é uma Federação constituída pela união indissolúvel de 26 estados-membros, um Distrito Federal e municípios, agrupados no interior de cinco regiões. Dentre os 26 estados, 17 são litorâneos e nove são interioranos.[13] Existe ainda outra forma de regionalização não oficial criada por especialistas em geografia, na qual o país é dividido em três complexos geoeconômicos, chamados de Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Essas regiões não se baseiam em fronteiras, mas sim em aspectos histórico-econômicos.[14]
Há cerca de 5 570 municípios em todo território nacional, alguns com população maior que a de vários países do mundo (cidade de São Paulo com mais de onze milhões de habitantes), outros com menos de mil habitantes; alguns com área maior do que vários países no mundo (Altamira, no Pará, é quase duas vezes maior que Portugal), outros com menos de quatro quilômetros quadrados.[2] Os municípios em geral têm como sede a cidade, chamada de distrito-sede na maior parte dos casos em que o território municipal é dividido em distritos.[15]
As divisões políticas têm como objetivo o controle administrativo do território nacional e foram configuradas, cronologicamente, com a implementação das donatarias, as Capitanias Hereditárias e as Províncias e, finalmente, os estados e suas atuais divisões em distritos e os municípios. A elaboração da divisão em macrorregiões foi instituída em 1970,[16] ao mesmo tempo que a disposição da área dos estados do território brasileiro se encontrava praticamente definida; somente Mato Grosso do Sul e Tocantins foram criados posteriormente à década de 70. Ainda hoje uma série de propostas de criação de unidades federativas do Brasil tramita na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, embasadas, em geral, no objetivo de dar autonomia às sociedades locais.[17]
Fusos horários
Ver artigo principal: Fusos horários no Brasil
Fusos horários e horário de verãono Brasil, desde junho de 2008 até setembro de 2013.
O território brasileiro, incluindo as ilhas oceânicas, possui quatro fusos horários, todos a oeste do meridiano de Greenwich (longitude 0°). Em cada faixa de 15° entre pares de meridianos ocorre a variação de uma hora. Isso significa que o horário oficial no Brasil varia de 2 a 5 horas a menos em relação ao Tempo Universal Coordenado (UTC) — adotado em substituição ao Greenwich Mean Time (GMT) em 1986.[18]
O primeiro fluxo engloba as ilhas oceânicas (longitude 30° O) e tem 2 horas a menos que a UTC; o segundo (45° O) tem 3 horas a menos (UTC−3) e é a hora oficial do Brasil (horário de Brasília), abrangendo o Distrito Federal, Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e as regiões Sul, Sudeste e Nordeste; o terceiro (60° O), que tem quatro horas a menos, inclui Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Roraima, Rondônia e grande parte do Amazonas; e o quarto e último fluxo engloba o estado do Acre e uma pequena parte do oeste do Amazonas.[19][20]
Em 2008, um projeto de lei, sancionado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez com que o fuso de UTC−5 fosse extinto no país, com sua respectiva região, integrando, a partir de então, o fuso de UTC−4. Além disso, todo o estado do Pará passou a integrar um único fuso horário, o de UTC−3. Porém, em 2010, realizou-se um referendo para a população do Acre e de parte do Amazonas, optando-se então pelo restabelecimento do horário antigo, efetuado oficialmente em 2013. Com isso, o fuso UTC−5 foi retomado, mas o Pará continua a fazer parte integralmente do fuso UTC−3.[21]
Horário de verão
Ver artigo principal: Horário de verão no Brasil
Desde 1985, o Brasil adota o horário de verão, no qual os relógios de parte dos estados são adiantados em uma hora num determinado período do ano. No período de outubro a fevereiro, é estabelecido o horário de verão nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul de forma regular. Nesses lugares, durante o verão, a duração do dia é significativamente maior do que a duração da noite, pois a mudança de horário retarda a entrada elétrica quanto ao pico de consumo de energia elétrica, quando as luzes das casas são acesas. Com isso o governo estima diminuir em 1% o consumo nacional de energia. Nos outros estados a pequena diferença de duração entre o dia e noite em todas as estações do ano não favorece a adoção do novo horário.[22]
Geomorfologia
Ver artigo principal: Geomorfologia do Brasil
Mapa topográfico do Brasil. O relevo mais acidentado encontra-se no centro do país, no grande planalto Central, enquanto que as terras baixas estão ao longo de grandes bacias, como a Bacia Amazônica.
Situado na porção centro-leste da América do Sul, longe das bordas das placas tectônicas, o Brasil é formado por terrenos antigos e composições de relevo que foram esculpidas ao longo de bilhões de anos sobretudo pelo intemperismo, além de processos geológicos como orogênese e subsidência. A configuração geomorfológica atual do território começou a delinear-se somente a partir do período Cretáceo, quando a deriva continental levou ao surgimento do oceano Atlântico.[23]
Geologia
Ver artigo principal: Geologia do Brasil
A formação geológica do território brasileiro apresenta origens antigas, que remontam ao período Pré-Cambriano. Dessa forma, as formações litológicas antigas passaram por várias fases erosivas que acabaram por desgastá-las e, ao mesmo tempo, dar origem a grandes bacias sedimentares. O Brasil situa-se no centro da Placa Sul-Americana, que tem em sua extremidade oeste a Cordilheira dos Andes e a leste a Dorsal Mesoatlântica.[24][25]
Os terrenos expostos mais antigos correspondem aos crátons, formados por rochas metamórficas cuja idade encontra-se entre 2 e 4,5 bilhões de anos. O cráton amazônico, dividido entre as porções norte e sul, apresenta predominantemente rochas intrusivas, como granito, além de depósitos sedimentares residuais. Destacam-se, ainda, com características similares, o cráton São Francisco, que se estende do norte de Minas Gerais ao centro da Bahia, e o cráton Sul-riograndense.[26]
Chapada dos Guimarães, no estado do Mato Grosso. A intensa erosão dos escudos cristalinos deu origem às bacias sedimentares.
Grandes cinturões orogênicos, processos que deram origem a cadeias de montanhas, desenvolveram-se também ao longo do período Pré-Cambriano. Dessa forma, três grandes cadeias montanhosas surgiram. A primeira delas, o cinturão orogênico do Atlântico, estende-se desde o leste da Região Nordeste até o litoral do Rio Grande do Sul. Nesta área existe uma grande complexidade de formações estruturais e litológicas, prevalecendo rochas metamórficas como gnaisses, migmatitos, quartzitose micaxistos.
Neste cinturão atualmente encontram-se importantes cadeias montanhosas, incluindo a Serra da Mantiqueira e a Serra do Espinhaço, moldadas pelo intemperismo, além de falhas geológicas.[27] O cinturão orogênico de Brasília, por sua vez, estende-se desde o sul do Tocantins até o sudeste de Minas Gerais. Nesta região surgiram serras estreitas e alongadas, por vezes com a ocorrência de chapadas. Dentre as principais, destacam-se a Serra da Canastra e a Chapada dos Veadeiros.[28] Por fim, o cinturão orogênico Paraguai-Araguaia estende-se desde o norte de Goiás até o sul do Mato Grosso e ressurge no sul do Pantanal, na serra da Bodoquena. É constituído por uma cadeia de serras oriundas de dobramentos antigos que ainda estão parcialmente preservados.[28]
A Cascata do Caracol, no Parque Estadual do Caracol no Rio Grande do Sul, despenca sobre o paredão basáltico na formação Serra Geral, originada no derramamento da bacia do Paraná.
O processo de erosão nos escudos cristalinos antigos criou grandes bacias sedimentares, sendo que no território brasileiro são três principais: a Bacia Amazônica, a do Parnaíba ou Maranhão, e a do Paraná. Os sedimentos foram sendo depositados ao longo do período fanerozoico, nos últimos 600 milhões de anos, dando origem a diferentes tipos de rochas sedimentares, como arenitos, siltitos e argilitos. Em especial na bacia do Paraná, derramamentos de lava ocorridos entre o período Jurássico
e Cretáceo fizeram com que camadas de rochas magmáticas se depositassem sobre a camada de rochas sedimentares.
Processos de epirogênese foram os responsáveis pelo soerguimento das bacias, e também pelo surgimento das escarpas em escudos cristalinos que, por sua vez, deram origem às escarpas das serras da Mantiqueira e do Mar. Por isso, no relevo atual podem ser encontrados terrenos sedimentares com cotas superiores à de escudos cristalinos. Dessa forma, as bacias sedimentares passaram por um intenso processo de erosão em suas bordas, originando depressões periféricas. No período Mesozoico, as bacias receberam a maior parte dos sedimentos que as compõem. Já no período Cenozoico, depósitos importantes ocorreram na parte ocidental da Bacia Amazônica e no litoral da Região Nordeste (período terciário) e, mais recentemente, na planície do Pantanal, na Ilha do Bananal e ao longo do curso do rio Amazonas e seus principais afluentes.[29]
Recursos minerais
Ver artigo principal: Mineração no Brasil
Imagem de satélite de uma mina da Serra dos Carajás, no Pará, uma das importantes regiões de mineração do Brasil.
O Brasil detém uma parcela considerável dos recursos minerais do mundo, razão pela qual é um dos principais exportadores de minérios. Mais de uma centena de substâncias minerais são extraídas do solo brasileiro, das quais destaca-se a produção de ferro (sobretudo no Quadrilátero Ferrífero) e nióbio, elementos dos quais o país é o maior exportador mundial. É importante ainda a extração de caulim, tantalita, bauxita, grafita, amianto, cassiterita, magnesita, vermiculita, rochas ornamentais, talco, rocha fosfática e ouro.[30]
As reservas brasileiras de petróleo e gás natural concentram-se principalmente em regiões oceânicas ao longo do litoral, além de quantidades menores na Amazônia. Reservas importantes foram descobertas recentemente na camada pré-sal.[31] Reservas importantes de carvão mineral encontram-se concentradas na Região Sul, destinadas sobretudo a alimentar as usinas termelétricas do país.[32] A produção de urânio está concentrada em uma única jazida em Caetité, na Bahia, onde é encontrada a uraninita, destinada às usinas nucleares do país.[33]
Relevo
Ver artigo principal: Relevo do Brasil
Ver também: Lista de picos do Brasil
O Pico da Neblina, ponto culminante do Brasil.
O território brasileiro apresenta relevo relativamente pouco acidentado, sem grandes e elevadas cadeias montanhosas. Isto se deve ao fato de que as estruturas geológicas do país, em sua maioria, são antigas. Por esta razão, as rochas dos escudos cristalinos, originados no pré-cambriano, passaram por um longo processo de intemperismo e erosão, criando formas de relevo mais suaves, assim como grandes bacias sedimentares, que datam, em sua maioria, dos períodos Cenozoico e Mesozoico.[34]
O ponto culminante do Brasil, o Pico da Neblina, encontra-se na Serra do Imeri, no norte do Amazonas, com altitude de 2 993,8 metros acima do nível do mar, conforme obtido pelo Projeto Pontos Culminantes do Brasil. Em segunda posição está o Pico 31 de Março, na mesma cadeia montanhosa, com 2 972,7 metros. O Pico da Bandeira, na Serra do Caparaó, ocupa o terceiro lugar, com 2892 metros, e a Pedra da Mina, na Serra da Mantiqueira, a quarta posição, com 2 798,4 metros.[35] Contudo, a maior parte do território brasileiro possui cota inferior aos 1 000 metros.[25]
As unidades do relevo brasileiro são normalmente divididas entre planícies, planaltos e depressões, de acordo com a classificação de Jurandyr Ross, elaborada, sobretudo, com base na classificação de Aziz Ab'Saber e nos dados do Projeto Radambrasil.[36]
Planaltos
Os planaltos são caracterizados por serem circundados por grandes depressões, o que torna evidente a maior resistência de suas rochas a processos erosivos em relação às áreas adjacentes. Planaltos localizados em bacias sedimentares são comumente caracterizados pela presença de cuestas em seus limites. Dentre estas unidades estão os planaltos da Bacia Amazônica oriental e ocidental, além dos planaltos e chapadas da bacia do Rio Parnaíba e da Bacia do Paraná.[37]
Planaltos em estruturas cristalinas são caracterizados pela presença de serras e morros associados a intrusões vulcânicas e dobramentos antigos. Dentre estas unidades, estão os planaltos residuais norte amazônicos, sul amazônicos e a Chapada dos Parecis. O Planalto da Borborema e o Planalto Sul-rio-grandense foram formados a partir do soerguimentode dobramentos antigos. Grandes planaltos em cinturões orogênicos estão localizados sobretudo no centro e no sudeste do país, caracterizados por grandes cadeias de serras, remanescentes das estruturas de dobramentos antigos atacadas pelo intenso processo erosivo. Dentre as cadeias montanhosas situadas neste planalto estão a Serra da Mantiqueira e a Serra do Espinhaço. Este conjunto constitui o Planalto Brasileiro, que ocupa uma grande extensão no interior do país.[38]
Depressões
A erosão do escudo cristalino na Chapada Diamantina ajuda a formar as depressões logo abaixo.
Estas unidades de relevo são marcadas pelo intenso processo erosivo em escudos cristalinos, interpondo-se entre os planaltos e as planícies. Embora os planaltos também exibam marcas do intemperismo, as depressões foram ainda mais afetadas pelas variações paleoclimáticas, sobretudo ao longo dos períodos Terciário e Quaternário.[39]
Contudo, a depressão da Amazônia ocidental distingue-se das demais por ter uma gênese diferenciada, a partir de processos fluviais que acabaram por dar origem a um terreno aplainado e com pequenas e baixas colinas suaves.[39] As demais depressões, que normalmente são cercadas por escudos cristalinos, encontram-se em grandes bacias. Dentre elas, podem ser destacadas as depressões norte e sul amazônica, do Alto Paraguai e do Guaporé, do Araguaia e do São Francisco, também conhecida como Pernambucana.[40]
Planícies
A planície amazônica se estende ao longo dos principais rios da bacia, como o Rio Solimões.
As planícies são formadas a partir da deposição de sedimentos de origem fluvial, lacustre ou marinha, caracterizadas por sua topografia plana. No interior do país, encontram-se associadas a grandes rios. Uma das principais é a Planície Amazônica, que segue ao longo do Rio Amazonas e seus principais afluentes. Outras planícies importantes são a do Guaporé, a do Araguaia e a do Paraguai. Esta última constitui parte do Pantanal, uma grande planície alagável, com biodiversidade peculiar.[41]
No extremo litoral sul, encontra-se a planície das lagoas dos Patos e Mirim, formada a partir de depósitos lacustres e marinhos. Ao longo do litoral, existem planícies de pequena extensão, normalmente associadas à foz de rios importantes, como o Rio Doce e o Rio Paraíba do Sul.[42]
Pedologia
Ver também: Carta de Solos do Brasil, Agricultura no Brasil e Centro Nacional de Pesquisa de Solos
Devido à heterogeneidade das condições geológicas e ambientais do território brasileiro, uma grande diversidade de solos é encontrada por todo o país. Para sistematizar a classificação, foi criado o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, que inclui em si as características peculiares encontradas no território.[43]
Os latossolos são os mais representativos do país, ocupando uma grande extensão espalhada ao longo de todo o território. Possuem um bom potencial agrícola quando corretamente corrigidos com a adição de calcário e fertilizantes químicos. Neossolos, por outro lado, são pouco desenvolvidos, ou seja, estão pouco degradados e apresentam uma grade fração de pedras, sendo, portanto, não utilizáveis para a agricultura. Nitossolos, por outro lado, possuem alta fertilidade, mas são encontrados em faixas restritas, cobrindo menos de 1% da superfície nacional.[43] Organossolos, ricos em matéria orgânica, ocorrem por todo o país, contudo somente em pequenas áreas. É notável, ainda, a terra preta da Amazônia, um solo antropogênico altamente fértil, desenvolvido por povos indígenas há milhares de anos.[44]
Riscos geológicos
Ver também: Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais
Os principais desastres naturais que ocorrem no Brasil são inundações e deslizamentos de terra. Estes problemas ocorrem por todo o território, mas sua frequência é maior em grandes metrópoles nas Regiões Sudeste e Nordeste, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, em sua região serrana, e em Recife, onde a ocupação desordenada é a principal responsável por grandes prejuízos. Áreas instáveis, onde uma fina camada de solo recobre as rochas no interior das montanhas, perdem a estabilidade ao serem ocupadas sem o devido planejamento.[45]
Subsidências também ocorrem pontualmente, causadas pela acomodação do solo em cavidades criadas pela dissolução de rochas calcárias, criando desde pequenas depressões até grandes afundamentos.[46] Em algumas cidades litorâneas, principalmente no Maranhão e no Rio de Janeiro, a sedimentação eólica também é responsável por grandes prejuízos, onde dunas móveis avançam sobre a zona urbana e estradas. Ao longo de vários locais na costa, a erosão marinha causa transtornos, e tende a se tornar cada vez mais intensa, com o aumento do nível do mar.[47]
A erosão hídrica, causada principalmente pelos ciclos de chuva, é responsável pela perda de grandes áreas cultiváveis e danos à infraestrutura. Este problema se torna mais intenso conforme ocorre o desmatamento e a ocupação e manejo inadequado do solo. Na Amazônia, é comum ainda a erosão fluvial, em que a própria dinâmica dos rios desgasta suas margens, causando seu colapso.[48]
O território brasileiro está livre da ocorrência de grandes terremotos por estar situado no centro da Placa Sul-Americana. Contudo, pequenos sismos, que atingem até 5 pontos na escala Richter são comuns, sendo que somente uma morte causada por um terremoto foi registrada até o presente momento, em Itacarambi, Minas Gerais. Não há também ocorrências de desastres relacionados a vulcanismos e tsunamis.[49]
Clima
O clima do Brasil é diversificado em consequência de fatores variados, como a fisionomia geográfica, a extensão territorial, o relevo e a dinâmica das massas de ar.[50] Este último fator é de suma importância porque atua diretamente tanto na temperatura quanto na pluviosidade, provocando as diferenças climáticas regionais. As massas de ar que interferem mais diretamente são as equatoriais (continental e atlântica), tropicais (continental e atlântica) e a polar atlântica.[51] Dessa forma, o país dispõe de uma ampla variedade de condições de tempo em uma grande área e topografia variada, mas a maior parte do país é tropical,[52] devido à posição do território brasileiro entre os trópicos de Câncer e Capricórnio.[53] As diferentes condições climáticas produzem ambientes que variam de florestas equatoriais no Norte e regiões semiáridas no Nordeste, para florestas temperadas de coníferas no Sul e savanas tropicais no Brasil central,[54] ao mesmo tempo que muitas regiões têm microclimas totalmente diferentes.[55][56] Sobressaltam-se seis tipos climáticos:[57]
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O clima equatorial ocorre na região amazônica, ao norte de Mato Grosso e a oeste do Maranhão, e está sob ação da massa de ar equatorial continental – ar quente e geralmente úmido. Suas principais características são temperaturas médias elevadas (25 °C a 27 °C); chuvas abundantes, com índices próximos de 2 000 mm ao ano, e bem distribuídas ao longo do ano; e reduzida amplitude térmica, não ultrapassando 3 °C. No inverno, essa região pode sofrer influência da massa polar atlântica, que atinge a Amazônia ocidental, ocasionando um fenômeno denominado "friagem", ou seja, súbito rebaixamento da temperatura em uma região normalmente muito quente.[57]
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O clima tropical abrange todo o Brasil central, a porção oriental do Maranhão, grande parte do Piauí e a porção ocidental da Bahia e de Minas Gerais. Também é encontrado no extremo norte do país, em Roraima. Caracteriza-se por temperatura elevada (de 18 °C a 28 °C), com amplitude térmica (de 5 °C a 7 °C), e estações bem definidas – uma chuvosa e outra seca. Apresenta alto índice pluviométrico, em torno de 1 500 mm ao ano. A estação de chuva é o verão, quando a massa equatorial continental está sobre a região. No inverno, com o deslocamento dessa massa, diminui a umidade e então ocorre a estação seca.[57]
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O clima tropical de altitude é encontrado nas partes mais elevadas, entre 800 m e 1 000 m, do planalto Atlântico do Sudeste. Abrange trechos dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, norte do Paraná e o extremo sul de Mato Grosso do Sul. Sofre a influência da massa de ar tropical atlântica, que provoca chuvas no período do verão. Apresenta temperatura amena, entre 18 °C e 22 °C, e amplitude térmica anual entre 7 °C e 9 °C. No inverno, as geadas acontecem com certa frequência em virtude da ação das frentes frias originadas da massa polar atlântica.[57]
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O clima tropical úmido estende-se pela faixa litorânea do Rio Grande do Norte ao extremo leste de São Paulo. Sofre a ação direta da massa tropical atlântica, que, por ser quente e úmida, provoca chuvas intensas. O clima é quente com variação de temperatura entre 18 °C e 26 °C e amplitude térmica maior à medida que se avança em direção ao Sul, sendo úmido e chuvoso durante todo o ano. No Nordeste, a maior concentração de chuva ocorre no inverno. No Sudeste, no verão. O índice pluviométrico médio é de 2 000 mm ao ano.[57]
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O clima subtropical também pode ser classificado como temperado. É o clima das latitudes abaixo do trópico de Capricórnio: abrange o sul do estado de São Paulo, a maior parte do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o extremo sul de Mato Grosso do Sul. É influenciado pela massa polar atlântica, que determina temperatura média de 18 °C e amplitude térmica anual elevada para padrões brasileiros, de cerca de 10 °C. As chuvas variam dos 1 000 mm aos 2 000 mm ao ano e bem distribuídas anualmente. Há geadas com frequência e eventuais nevadas.[57] Em termos de temperatura, apresenta as quatro estações do ano relativamente bem marcadas: os verões são quentes na maior parte da Região Sul (Cfa, segundo a Classificação climática de Köppen-Geiger) e amenos nas serras gaúcha e catarinense e no extremo sul do país, nas partes mais elevadas das Serras de Sudeste (caracterizado por Köppen como Cfb), com média anual de temperatura inferior aos 17 °C. Os invernos são frescos (frios para os padrões brasileiros), com a ocorrência de geadas em toda a sua área de abrangência, havendo a ocorrência de neve nas partes mais elevadas da região.[57]
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O clima semiárido é típico do interior do Nordeste, região conhecida como o Polígono das Secas, que corresponde a quase todo o sertão nordestino e aos vales médio e inferior do rio São Francisco. Sofre a influência da massa tropical atlântica que, ao chegar à região, já se apresenta com pouca umidade. Caracteriza-se por elevadas temperaturas (média de 27 °C) e chuvas escassas (em torno de 750 mm/ano), irregulares e mal distribuídas durante o ano. Há períodos em que a massa equatorial atlântica (superúmida) chega no litoral norte de Região Nordeste e atinge o sertão, causando chuva intensa nos meses de fevereiro, março e abril.[57]
Fenômenos Adversos
A configuração climática natural, geralmente associada a fatores relacionados à ação do homem, a exemplo do desmatamento e da emissão de dióxido de carbono nos grandes centros urbanos, proporciona ocasionais fenômenos adversos com impacto direto ou indireto à população ou à propriedade.[58] Enquadram-se nesse contexto eventos pontuais de precipitações intensas nas regiões Sul e Sudeste[58] e as secas que afetam sobretudo o sertão nordestino. O país tem 11% de seu território dentro do polígono das secas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO),[59] área a qual a falta d'água implica imbróglios em pequenas lavouras e criações e posteriormente na fome e na redução da qualidade de vida no interior nordestino, além da migração para os grandes centros urbanos.[60] Ainda assim, a construção de cisternas e açudes públicos visa a favorecer o máximo aproveitamento da água acumulada pelas chuvas escassas.[59] Por outro lado, a grande extensão territorial do Brasil e sua posição na zona tropical fazem com que seja o país onde ocorre a maior quantidade de raios em todo o mundo, concentrados sobretudo na região amazônica.[61] Ocorrências de granizo, vendavais e tornados, observadas principalmente sobre a Região Sul, também são associadas às temperaturas elevadas[62] e à existência do chamado corredor dos tornados da América do Sul.[63] As chuvas volumosas, agravadas pelas construções de residências em encostas de morros, pelo lixo e esgoto despejados sem o devido controle e pelo adensamento urbano em cidades cujo crescimento da malha urbana ocorreu sem planejamento, culminam em enchentes e deslizamentos de terra.[64]
De forma mais esporádica, combinações de anomalias climáticas e atmosféricas sobre o oceano podem levar a registros de fenômenos semelhantes ao Ciclone Catarina, que foi o primeiro ciclone tropical observado via imagens de satélite a alcançar a força de um furacão no sul do Atlântico,[65] tendo afetado cidades do litoral dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com chuvas volumosas e rajadas de vento em março de 2004.[66][67] A neve, por sua vez, ocorre com regularidade anual apenas acima dos 1 000 metros de altitude (constituindo uma pequena área entre os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina), sendo, nas áreas mais baixas, de ocorrência mais esporádica, não ocorrendo todos os anos.[57] Nos pontos mais altos do planalto, onde pode ocorrer a neve durante os dias de inverno, estão situadas as cidades mais frias do país: São Joaquim e Urupema, em Santa Catarina, e São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, as três com temperatura média anual de 13 °C. O local mais frio do país é creditado ao cume do morro da Igreja, no município de Urubici, próximo a São Joaquim, o ponto habitado mais alto da Região Sul do país.[57] As geadas ocorrem nas latitudes maiores que 18º, englobando os estados do Sul e partes de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás.[68]