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Gramática em lingua portuguesa
Gramática
Gramática da língua portuguesa é o estudo objetivo e sistemático dos elementos (fonemas, morfemas, palavras, frases etc.) e dos processos (de formação, construção, flexão e expressão) que constituem e caracterizam o sistema do idioma português.
Dos Substantivos ___________________________________________________________
Conceito
Substantivo é a palavra que nomeia os seres. O conceito de seres deve incluir os nomes, ou seja são palavras variáveis que designam as coisas, acção, qualidade, emoção, nomes etc etc etc. de pessoas, de lugares, de instituições, de grupos, de indivíduos e de entes de natureza espiritual ou mitológica:
Mulher, sociedade, vegetação, alma.
Maria, senado, paineira, anjo
Brasil, cidade, cavalo, sereia
Teresina, comunidade, cidadão, saci
Além disso devem incluir nomes de ações, estados, qualidades, sensações, sentimentos:
acontecimento, honestidade, amor, correria, miséria, liberdade, encontro, integridade, raiva, hipocrisia, corrupção, etc
Classificação
Quanto à sua formação, os substantivos são classificados em simples e compostos, primitivos ou derivados. Quanto ao seu significado e abrangência, em concretos e abstratos, comuns e próprios.
Substantivos Simples
Os substantivos simples apresentam um único radical em sua estrutura:
chuva, livro, livreiro, guarda, flor, desenvolvimento
Substantivos Compostos
Os substantivos compostos apresentam mais de um radical em sua estrutura:
Substantivos primitivos
Os substantivos que não provêm de qualquer outra palavra da língua são chamados de
primitivos:
árvore, folha, flor, carta, dente, pedra.
Substantivos Derivados
Os substantivos formados a partir de outras palavras da língua pelo processo de
derivação são chamados de derivados:
arvoredo, folhagem, florista, florada, carteiro,
dentista, pedreiro,jardineiro"
Substantivos Concretos
Os substantivos que dão nome a seres de existência independente, reais ou
imaginários, são chamados concretos. São exemplos de substantivos concretos:
armário, cidade, formiga, sereia, abacateiro, Deus, homem, vento, Brasil
São considerados concretos os substantivos que nomeiam divindades ou seres fantásticos, pois, existentes ou não, são tomados sempre como seres dotados de vida própria.
Substantivos Abstratos
Os substantivos que dão nome a estados, qualidades, sentimentos ou ações são
chamados abstratos. São exemplos de substantivos abstratos:
tristeza amor maturidade
atenção clareza brancura
beijo ética abraço
honestidade conquista paixão
Em todos esses casos, nomeiam-se conceitos cuja existência depende sempre de um ser
para manifestar-se: é necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza manifestar-se; é
necessário alguém beijar ou abraçar para que ocorra um beijo ou um abraço.
Substantivos Comuns
Os substantivos que designam todo e qualquer indivíduo de uma espécie de seres são
chamados comuns. E o caso de substantivos como:
homem, montanha, professor, mulher, planeta ,país, rio ,animal, estrela.
Substantivos Próprios
Aqueles que designam um indivíduo particular de uma determinada espécie são chamados próprios:
José Coimbra Angola, Ana Marte Gibraltar, Araguaia Simão Brasil
Substantivos Coletivos e adjetivos comuns
Há um tipo de substantivo e adjetivo comum que nomeia conjuntos de seres de uma mesma
espécie: é o chamado substantivo coletivo. A seguir há uma relação dos principais coletivos da língua portuguesa; percebe-se que muitos deles são de uso bastante comum e facilitam a construção de frases mais concisas e precisas.
Coletivos de Grupos de Pessoas
assembléia - pessoas reunidas
banca - examinadores
banda - músicos
bando - desordeiros ou malfeitores
batalhão - soldados
camarilha - bajuladores
cambada - desordeiros ou malfeitores
caravana - viajantes ou peregrinos
caterva - desordeiros ou malfeitores
choldra - assassinos ou malfeitores
chusma - pessoas em geral
claque - pessoas pagas para aplaudir
clero - religiosos
colônia - imigrantes
comitiva - acompanhantes
corja - ladrões ou malfeitores
coro - cantores
corpo - eleitores, alunos, jurados
elenco - atores de uma peça ou filme
falange - tropas, anjos, heróis
horda - bandidos, invasores
junta - médicos, examinadores, credores
júri - jurados
legião - soldados, anjos, demônios
leva - presos, recrutas
malta - malfeitores ou desordeiros
multidão - pessoas em geral
orquestra - músicos
pelotão - soldados
platéia - espectadores
plêiade - poetas ou artistas
plantel - atletas, bovinos ou eqüinos selecionados
prole - filhos
quadrilha - ladrões ou malfeitores
roda - pessoas em geral
ronda - policiais em patrulha
súcia - desordeiros ou malfeitores
tertúlia - amigos, intelectuais
tripulação - aeroviários ou marinheiros
tropa - soldados, pessoas
turma - estudantes, trabalhadores, pessoas em geral
Coletivos de Conjuntos de Animais e Plantas
alcatéia - lobos
buquê - flores
cacho - frutas
cáfila - camelos
cardume - peixes
colmeia ou colmeia - abelhas
colônia - bactéria, formiga, cupins
enxame - abelhas, vespas, marimbondos
fato - cabras
fauna - animais de uma região
feixe - lenha, capim
flora - vegetais de uma região
junta - bois
manada - animais de grande porte
matilha - cães de caça
molho - verduras
ninhada - filhotes de aves
nuvem - insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
panapaná - borboletas
plantel - animais de raça
ramalhete - flores
rebanho - gado em geral
récua - animais de carga
réstia - alhos ou cebolas
revoada - pássaros
tropa - animais de carga
vara - porcos
Coletivos de Outros Conjuntos
acervo - obras artísticas
antologia - trechos literários selecionados
armada - navios de guerra
arquipélago - ilhas
arsenal - armas e munições
atlas - mapas
baixela - objetos de mesa
bateria - peças de guerra ou de cozinha, instrumentos de percussão
biblioteca - livros catalogados
cancioneiro - poemas, canções
cinemateca - filmes
constelação - estrelas
enxoval - roupas
esquadra - navios de guerra
esquadrilha - aviões
frota - navios, aviões ou veículos em geral (ônibus, táxis, caminhões etc.)
girândola - fogos de artifício
hemeroteca - jornais e revistas arquivados
molho - chaves
pinacoteca - quadros
trouxa - roupas
vocabulário - palavras
Da Flexão dos Substantivos
Os substantivos são palavras flexíveis podendo mudar de gênero, número e grau com adição de desinências
Flexão de Gênero
O gênero gramatical é a indicação do sexo real ou suposto dos seres e por haver dois sexos, dois devem ser os gêneros gramaticais: o gênero masculino e o gênero feminino. E existem nomes de coisas concretas e abstratas que não designam sexo por não possuí-lo porque são neutros, porém, como não existe gênero neutro na língua portuguesa atribui-se-lhes um gênero fictício no masculino ou no plural.
Gênero Fictício
Masculinos
-
São os substantivos cuja flexão acarreta a mesma terminação do que substantivos que representam entidades reais (como animais) com género masculino. São normalmente terminados em o, i, u: litro, batismo, álibi, jaborandi, pó, nó, dó, caju, maracatu, báculo, binóculo, montículo. Apesar de não ser frequente, existem substantivos masculinos terminados em a e e: o problema, o ente.
Excetuam-se: tribo, avó, mó, juriti, lei, grei
-
São os substantivos terminados em é: café, rapé, pontapé, fé, guiné.
-
São os substantivos terminados em em, im, om, um: armazém , brim, dom, bodum
Exceções: ordem, adem e todos os terminados em gem: aragem, linguagem, personagem,origem, penugem, etc
-
en: âmem, líquen.
-
au, éu, eu, ói: cacau, chapéu, liceu, caubói.
Excetua-se: Nau.
-
l: graal, tonel, anil, anzol, paul.
Excetuam-se: cal, catedral, bacanal, moral e outros que, primitivamente adjetivos, passaram a ser substantivos, conservando o gênero do substantivo que costumavam acompanhar, como a vogal (a letra vogal), a diagonal (a diagonal) etc.
-
r: alamar, escaler, nadir, furor, calembur.
Excetuam-se: beira-mar, colher, cor, dor, flor.
-
s: caos, lápis, cais, áloes.
Observação: Os substantivos terminados em z distribuem-se pelos dois gêneros masculinos: albornoz, alcatraz; femininos: paz, foz, noz.
Femininos
-
a: cama, barca, orelha.
-
ã: avã, manhã.
-
ção: viração, rotação, afeição.
-
ão: gratidão, solidão, ilusão.
-
gem: linguagem, homenagem, aragem.
-
dade e ice: cidade, verdade, tolice, velhice, idiotice.
Excetuam-se: dia e muitos outros de origem grega, como anacoreta, cometa, planeta, celeuma, coma, dilema, eczema, eurema, poema, teorema, epigrama, grama, miligrama, telefonema, zeugma.
Flexão do Gênero Masculino ao Feminino
Podemos distinguir, na indicação do sexo feminino, os seguintes processos:
a) com a mudança ou acréscimo na terminação:
Os nomes terminados em -o mudam o -o em -a:
filho - filha
aluno - aluna
menino - menina
gato - gata
Os em -ão mudam a terminação, uns em 4, outros em -oa e outros
em -ona (se denotam seres aumentados):
anão - anã
cidadão - cidadã
irmão - irmã
ermitio - ermitoa
hortelão - horteloa
leão - leoa
chorão - chorona
pedinchão - pedinchona
valentão - valentona
Os em -or formam geralmente o feminino com acréscimo de a
doutor - doutora
professor - professora
OBSERVAÇÃO: Outros terminados em -eira: arrumadeira, lavadeira,
faladeira.
Rejeita-se, sem razão, o plural guarda-marinhas.
Os em -e uns ficam invariáveis, outros mudam o -e em -a,
amante, cliente, constituinte, doente, habitante,
inocente, ouvinte, servente, etc.*
alfaiate - alfaiata
infante - infanta (também aparece invariável)
governante - governanta
presidente - presidente ou presidenta
parente - parenta
monge - monja
Os em -és e -z acrescentam a :
freguês - freguesa
português - portuguesa
juiz - juiza
Indicam o sexo feminino com o acréscimo de -essa, -isa :
abade - abadessa
alcaide - alcaidessa (ou alcaidina)
barão - baronesa
bispo - episcopisa
conde - condessa
cônego - canonisa
cônsul - consulesa
diácuno - diaconisa
doge - dogesa, dogaresa, dogaressa
druida - druidesa, druidisa (em
Vocábulos derivados por meio de -esa,
duque - duquesa
etíope - etiopisa
jogral - jogralesa
papa papisa.
píton. pitonisa
poeta - poetisa
príncipe - princesa
prior - priora, prioresa
profeta - profetisa
sacerdote - sacerdotisa
visconde - viscondessa
Não se enquadram nos casos precedentes:
ateu - atéia
ator - atriz
avô - avó
capiau - capioa
condestável. - condestabeleza
confrade - confreira
czar /pron. tçar/ - czarina(l)
dom - dona
egeu - egéia
embaixador - embaixatriz
europeu - européia
felá - felaína
filisteu - filistéiafrade
frei- freira
galo - galinha
zagal - zagala
oficial - oficiala
giganteu - gigantéia
grou. - grua
guri - guria
ilhéu - ilhoa
imperador - imperatriz
judeu - judia
landgrave - landgravina
marajá - marani
mandarini - mandarina
maestro - maestrina
peru - perua
pigmeu - pigméia
raja ou rajá - râni ou rani
rapaz - rapariga
rei - rainha
réu - ré
sandeu - sandia
silfo - sílfide
sultão - sultana
tabaréu, - tabaroa,
herói - heroína
Com palavras diferentes para um e outro sexo (heterônimos):
Nomes de pessoas:
cavaleiro - amazona
cavalheiro - dama
compadre - comadre
frei - sóror, soror, sor
genro - nora
homem - mulher
marido - mulher
Nomes de animais:
bode -cabra
boi - vaca
burro - besta
cão - cadela
Feminino com auxílio de outra palavra (biformes)
padrasto - madrasta
padre - madre
padrinho - madrinha
pai - mãe
patriarca - matriarca
rico-homem - rica-dona
carneiro - ovelha
cavalo- égua
veado - cerva (é)
zangão - abelha
Substantivos Comuns de Dois
Há substantivos que têm uma só forma para os dois sexos:
estudante, consorte, mártir
São por isso chamados comuns-de-dois. Tais substantivos
distinguem o sexo pela anteposição do artigo o (para o masculino) e do artigo a (para o
feminino):
estudante - a estudante
camarada - a camarada
mártir - a mártir
Os nomes terminados em -ista e muitos terminados em -e são comuns de dois:
o capitalista - a capitalista; o doente - a doente.
Substantivos Epicenos
Enquadram-se neste grupo os nomes de animais para cuja distinção de sexo empregamos as palavras macho e fêmea:
cobra macho; jacaré fêmea
Podemos ainda servir-nos de outro torneio:
o macho da cobra; a fêmea do jacaré.
Estes nomes de animais se chamam epicenos.
Sobrecomuns
São nomes de um só gênero gramatical que se aplicam, indistintamente,
a homens e mulheres: o algoz, o carrasco, o cônjuge, a criatura, o ente, a pessoa, o ser, a testemunha, o verdugo, a vítima.
Gênero estabelecido por palavra oculta. - São masculinos os nomes de rios, mares, montes, ventos, lagos, pontos cardeais, meses, por subentendermos estas denominações: O (rio) Amazonas, o (oceano) Atidntico, o (vento) bóreas, o (lago) Lddoga,
Por isso são normalmente femininos os nomes de cidades, ilhas: A bela (cidade) Petrópolis. A movimentada (ilha) Governador.
Nas denomina" de navios depende do termo subentendido: o
(transatlântico) Argentina, a (corveta) Belmonte, etc.
Notem-se os seguintes géneros: o (vinho) champanha (e não a champanha!), o (vinho) madeira, o (charuto), havana, o (café) moca, o (gato) angord, o (cão) terra-nova.
Mudança de sentido na mudança de gênero.
Há substantivos que são masculinos ou femininos, conforme o sentido com que se achem empregados: cabeça (parte do corpo) o cabeça (o chefe), capital (cidade principal) o capital (dinheiro, bens), língua (órgão muscular; idioma) - o língua, lotação (capacidade de um carro, navio, sala, etc.) - o lotação (forma abreviada de automóvel), rádio (a estação) - o rádio (o aparelho), voga (moda; popularidade) - o voga (o remador)
Gêneros que podem oferecer dúvida:
a) São masculinos:
Os nomes de letra de alfabeto, clã, champanha, dó, eclipse, formicida, grama (unidade de peso), jângal, jângala, lança-perfume, milhar, pijama, proclama, saca-rolhas, sanduíche, sósia, telefonema, soma (usado na linguagem técnica da psiquiatria).
b) São femininos:
Aguardente, análise, fama, cal, cataplasma, cólera, cólera-morbo, coma, dinamite, elipse, faringe, fruta-pão, gesta (= façanha), libido, polé, preá, síndrome, tíbia.
c) São indiferentemente masculinos ou femininos:
Ágape, avestruz, caudal, crisma, diabete, gambá, hélice, íris, juriti, igarité, lama ou lhama, laringe, ordenança, personagem, renque, sabiá, sentinela, soprano, suástica, tapa,
Masculinos com mais de um feminino.
Além dos já apontados no decorrer da lição, lembraremos ainda os mais usuais:
aldeão - aldeã, aldeoa
deus - deusa, déia (poét.)
diabo - diaba, diabra, diáboa
elefante - elefanta, elefoa, aliá
javali - javalina, gíronda
ladrão - ladra, ladrona, ladroa
melro - méiroa, melra
motor - motora, motriz (adj.)
pardal - pardoca, pardaloca. pardaleja
parvo - párvoa, parva
polonês - polonesa, polaca
varão - varoa, virago, matrona
vilão - vilã, viloa
Formação do plural dos substantivos
Em português há dois números gramaticais: singular e plural. O singular
indica o objeto ou coleção em si; o plural denota-os indicando mais
de um.
a) Formação do plural com acréscimo de s.
Forma-se o plural acrescentando-se s aos nomes terminados por-
1 - vogal ou ditongo oral: livro, livros; lei, leis, cajá, cajás;
2 - ditongos nasais ãe e ão (átono): mãe, mães; bênção, bênçãos;
3 - vogal nasal: ímã, ímãs, irmã, irmãs;
4 - m (grafando-se ns): dom, dons.
OBSERVAÇÃO: Totem, também grafado tóteme, tem os plurais totens e tótemes
b) Formação do plural com acréscimo de es.
Acrescenta-se es para formar o plural dos nomes terminados por:
1 - s (em sílaba tônica): ás, ases; freguês, fregueses.
Cós serve para os dois números e ainda possui o plural coses.
2 - z (em sílaba tônica): luz, luzes; giz, gizes.
3 - r: cor, cores; elixir, elixires; revólver, revólveres.
c) Plural dos nomes terminados em n.
Acrescenta-se e ou es. Melhor fora dar-lhes uma feição mais de acordo
com a nossa língua. Damos uma pequena lista, pondo entre parênteses
a forma que deve substituir a irregular terminada em -n :
abdômen (abdome): abdomens ou abdômenes.
certâmen (certame): certamens ou certâmenes.
dólmen (dolmem): dolmens ou dálmenes.
espécimen (espécime): espécimens ou especímenes.
germen (germe): germens ou gérmenes.
hífen (hifem): hífens ou hífenes.
pólen (polem): polens ou pólenes.
d) Plural dos nomes terminados em ão.
Repartem-se estes nomes por três formas de plurais:
1) ões (a maioria deles): coração, corações; questão, questões; melão, melões; razão, razões.
2) ães: cio, cães; capelão, capelães; alemão, alemães; capitão, capitães; escrivão, escrivães; tabelião, tabeliães; pão, pães; maçapão, maçapães; mata-cão, mata-cães; catalão, catalães.
3) ãos: chão, chãos; cidadão, cidadãos; cristão, cristãos; desvão, desváos; grão, grãos; irmão, irmãos; mão, mãos; pagão, pagãos e os
paroxítonos apontados em a
Muitos nomes apresentam dois e até três plurais: aldeão aldeãos aldeões aldeães, ancião anciãos anciões . anciães, charlatão charlatões charlatães, corrimão corrimãos corrimões, cortesão cortesãos cortesões, deão deãos deões deães, ermitão ermitãos ermitões ermitães
guardião guardiões guardiães, refrão refrãos refrães, sacristão sacristãos sacristães, vilão vilãos vilões vilães, vulcão vulcãos vulcões
e) Plural dos nomes terminados em ai, ol, ul.
Trocam o l por is : carnaval, carnavais; lençol, lençóis; álcool, álcoois; paul, pauis.
Dos Adjetivos ___________________________________________________________
Adjetivo é a expressão modificadora que denota qualidade, condição ou estado de um ser:
"Oceano terrível, mar imenso
De vagas procelosas que se enrolam
Floridas rebentando em branca espuma
Num pólo e noutro pólo" (G. DIAS).
Locução adjetiva - é a expressão formada de preposição + substantivo com valor de um adjetivo:
Homem de coragem = homem corajoso
Livro sem capa = livro desencapado
Note-se que nem sempre encontramos um adjetivo de sentido perfeitamente idêntico ao de locução adjetiva:
Colega de turma.
Adjetivo explicativo e restritivo.
O adjetivo pode ser explicativo ou restritivo.
EXPLICATIVO é o que designa uma qualidade, condição ou estado essencial ao ser:
Homem mortal - Água mole - Gelo frio
RESTRITIVO o que designa qualidade, condição ou estado acidental ao ser:
Homem bom - Água morna - Gelo pequeno
Substantivação do Adjetivo.
- Certos adjetivos são empregados sem qualquer referência a nomes expressos como verdadeiros adjetivos. A esta passagem de adjetivos a substantivos chama-se substantivação:
"A vida é combate
que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar" (G. DIAS).
Flexões do Adjetivo
Como o substantivo, o adjetivo pode variar em número, gênero e grau.
Número do adjetivo. - O adjetivo acompanha o número do substantivo a que se refere:
aluno estudioso, alunos estudiosos.
O adjetivo portanto, conhece os dois números que vimos no substantivo:
o singular e o plural.
Formação do plural dos adjetivos
Aos adjetivos se aplicam as mesmas regras de plural dos substantivos.
Quanto aos adjetivos compostos, lembraremos que normalmente só o último varia:
amizades luso- brasileiras, reuniões poético-musicais, anglo-normandos, médico-cirúrgicos
Variam ambos os elementos, entre outros exemplos, surdo-mudo,
verde-claro, verde-escuro, verde-gaio: surdos-mudos, verdes-claros, verdes-escuros, verdes-gaios.
Gênero do adjetivo
O adjetivo concorda também em gênero com o substantivo a que se refere. Conhece, assim, os gêneros comuns, ao substantivo: masculino e feminino.
Formação do feminino dos adjetivos
Adjetivos uniformes
Os adjetivos uniformes são os que apresentam uma só forma para acompanhar substantivos masculinos e femininos. Geralmente são terminados em al, el, il, ul, ar, er, az, iz, oz, uz, e e.
-povo lusíada
-breve exame
-trabalho útil
-objeto ruim
-estabelecimento modelar
-homem audaz
-conto simples
estes uniformes terminam em -a, -e, -l, -m, -r,
- nação lusiada
- breve prova
- ação útil
- coisa ruim
- escola modelar
- mulher audaz
- história simples
Exceções principais: andaluz, andaluza; bom, boa; chim, china; espanhol, espanhola.
Adjetivos Biformes
Quanto aos biformes, isto é, que têm uma forma para o masculino e outra para o feminino, os adjetivos seguem de perto as mesmas regras que se impõem aos substantivos.
a) Os terminados em -és -or, e -u acrescentam no feminino um a, na maioria das vezes.
chinês, chinesa; lutador, lutadora; cru, crua.
Exceções: 1) cortês, descortês, montés e pedrês são invariáveis;
2) incolor, multicor, sensabor, melhor, menor, pior e outros são invariáveis.
Outros em -dor ou -tor apresentam-se em -triz: motor, motriz (a par de motora, conforme vimos nos substantivos);
Outros terminam em -eira: trabalhador, trabalhadeira (a par de trabalhadora). Superiora (de convento) usa-se como substantivo.
3) hindu é invariável; mau
b) Os terminados em -eu passam, no feminino, a -éia:
europeu, européia; ateu, atéia.
Exceções: judeu, judia; sandeu, sandia; tabaréu faz tabaroa; réu faz ré.
c) Alguns adjetivos também, no feminino, mudam a vogal tônica fechada
o para aberta:
laborioso, laboriosa; disposto, disposta.
Grau dos Adjetivos
.Há três graus na qualidade expressa pelo adjetivo: positivo, comparativo e superlativo.
O positivo enuncia simplesmente a qualidade:
O rapaz é cuidadoso.
O comparativo compara qualidade entre dois ou mais seres estabelecendo:
a) uma igualdade:
b) uma superioridade:
c) uma inferioridade:
o rapaz é tão cuidadoso quanto (ou como) os outros.
o rapaz é mais cuidadoso que (ou do que) os outros.
o rapaz é menos cuidadoso que (ou do que) os outros.
O superlativo pode:
a) ressaltar, com vantagem ou desvantagem, a qualidade do ser em relação a outros seres:
O rapaz do mais cuidadoso dos (ou dentre os) pretendentes ao emprego.
O rapaz do menos cuidadoso dos pretendentes.
b) indicar que a qualidade do ser ultrapassa a noção comum que se tem dessa mesma qualidade:
O rapaz é muito cuidadoso.
O rapaz é cuidadosíssimo.
No primeiro caso, a qualidade é ressaltada em relação ou comparação com os outros pretendentes. Diz-se que o superlativo é relativo.
Forma-se o superlativo relativo com a intercalação do adjetivo nas fórmulas o mais ... de (ou dentre), o menos ... de (ou dentre).
No segundo caso, a superioridade é ressaltada sem nenhuma relação com outros seres. Diz-se que o superlativo é absoluto ou intensivo
O superlativo absoluto pode ser analítico ou sintético. Forma-se o analítico com a anteposição de palavra intensiva (muito, extremamente, extraordinariamente, etc.) ao adjetivo: muito cuidadoso.
O sintético é obtido por meio do sufixo -issimo (ou outro de valor intensivo) acrescido ao adjetivo no grau positivo: cuidadosíssimo.
Quanto ao sentido, cuidadosíssimo diz mais, é mais enfático do que muito cuidadoso. Na linguagem coloquial, se desejamos que o superlativo
absoluto analítico seja mais enfático, costumamos repetir a palavra.
Alterações gráficas no superlativo absoluto.
a) ao receber o sufixo intensivo, o adjetivo no grau positivo pode sofrer certas modificações
cuidadosa - cuidadosíssima
elegante - elegantíssimo
cuidadoso - cuidadosíssimo
b) os terminados em -vel átono adota-se o radical latino, terminado em -bil:
amável - amabilíssimo, móvel - mobilíssimo
c) Os adjetivos terminados em ro e re, áspero e livre, passam para o superlativo mediante acréscimo da terminação rimo ao nominativo latino dessas palavras.
acre - acérrimo
amargo - amaríssimo
amigo- amicíssimo
antigo - antiqüíssimo
áspero - aspérrimo
benéfico - beneficentíssimo
benévolo - benevolentíssimo
célebre - celebérrimo
célere - celérrimo
cristão - cristianíssimo
cruel - crudelíssimo
difícil - dificílimo
doce - dulcíssimo
fiel - fidelíssimo
frio - frigidíssimo
geral - generalíssimo
honorífico - honorificentíssimo
humilde - humílimo
incrível - incredibilíssimo
inimigo - inimicíssimo
íntegro - integérrimo
livre - libérrimo
magnífico - magnificentíssimo,
magro - macérrimo
malédico - maledicentíssimo
maléfico - maleficentíssimo,
malévolo - malevolentíssimo
mísero - misérrimo
miúdo - minutíssimo
negro - nigérrimo
nobre - nobilíssimo
parco - parcíssimo,
pessoal - personalíssimo
pobre - paupérrimo
pródigo - prodigalíssimo
provável - probabilíssimo
público - publicíssimo
sábio - sapientíssimo
sagrado sacratíssimo
salubre salubérrimo
são - saníssimo
simples - simplicíssimo
soberbo - superbíssimo
tenaz - tenacíssimo
tétrico - tetérrimo
Ao lado do superlativo à base do termo latino, pode circular o que procede do adjetivo no grau positivo acrescido da terminação -íssimo:
agílimo - agilíssimo
antiqüíssimo - antiguíssimo
crudelíssimo - cruelíssimo
dulcissimo - docissimo
facílimo - facilíssimo
humílimo - humildíssimo
macérrimo - magríssimo
nigérrimo - negríssimo
paupérrimo - pobríssimo
OBs.: Chamamos a atenção para as palavras terminadas em -io, na sua forma sintética, apresentam dois is:
sério - seriíssimo
precário - precariíssimo
frio - friíssimo
necessário - necessariíssimo
Tendem a fixar-se as formas populares seríssimo (coisa seríssima), necessaríssimo e semelhantes, com um i apenas.
Dos Artigos Definidos e Indefinidos ___________________________________________________
Artigo é a palavra variável que se antepõe aos substantivos que designam seres determinados (o, a, os,, as) ou indeterminados (um, uma, uns, umas).
Daí a divisão dos artigos em definidos (que são o, a, os, as) e indefinidos
(um, uma, uns, umas):
Quero o livro.
Quero um livro.
No primeiro caso, o substantivo designa um livro determinado e conhecido, inconfundível para a pessoa que fala ou escreve.
No segundo, o substantivo designa um livro qualquer dentre outros.
Precedido, de artigo definido pode também o substantivo exprimir a
espécie inteira:
o homem é mortal.
Não se trata aqui de um homem determinado, mas, sim, uma referência
ao ser humano em geral.
Nem sempre se evidencia a oposição entre o, a, os, as e um, uma, uns,
umas, porque os artigos aparecem em construções dos mais variados valores.
Dos Pronomes ___________________________________________________________
Pronome é a expressão que designa os seres sem dar-lhes nome nem qualidade, indicando-os apenas como pessoa do discurso.
Pessoas do discurso. - Três são as pessoas do discurso: a que fala (1.a pessoa), a que se fala (2.a pessoa) e a pessoa ou coisa de que
se fala (3.a pessoa).
Classificação dos pronomes.
Os pronomes podem ser: pessoais, possessivos, demonstrativos (abarcando o artigo definido), indefinidos (abarcando o artigo indefinido), interrogativos e relativos.
Pronomes pessoais.
Os pronomes pessoais designam as três pessoas do discurso:
1.a pessoa: eu (singular), nós (plural),
2.a pessoa: tu (singular), vós (plural) e
3.a pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural).
O plural nós indica eu mais outra ou outras pessoas, e não eu + eu.
Os pronomes pessoais são subdivididos em:
- do caso reto: função de sujeito na oração. Nós saímos do shopping. (nós = sujeito)
- do caso oblíquo: função de complemento na frase. Desculpem-me. (me = objeto)
Os pronomes oblíquos subdividem-se em:
- oblíquos átonos: nunca precedidos de preposição, são eles: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes. Basta-me o teu amor. -oblíquos tônicos: sempre precedidos de preposição: Preposição: a, de, em, por etc. Pronome: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, si, eles, elas.
Basta a mim o teu amor.
As formas eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas, que funcionam como sujeito, se dizem retas. A cada um destes pronomes pessoais retos,
corresponde um pronome pessoal oblíquo que funciona como complemento e pode apresentar-se em forma átona ou forma tônica. Ao contrário das formas átonas, as tônicas vêm sempre presas a preposição:
NúmeroPessoaPronomes retosPronomes oblíquos
Singular
primeira > Eu/Me, mim, comigo
segunda > Tu/Te, ti, contigo
terceira > Ele/elaSe, si, consigo, o, a, lhe
Plural
primeira > Nós/Nos, conosco
segunda > Vós/Vos, convosco
terceira > Eles/elasSe, si, consigo, os, as, lhes
Pronome de Tratamento
Pronome de tratamento é aquele com que nos referimos às pessoas a quem se fala (de maneira cerimoniosa), portanto segunda pessoa, mas a concordância gramatical deve ser feita com a terceira pessoa.
Alguns pronomes de tratamento:
pronome de tratamentoabreviaturareferência
Vossa AltezaV.A.príncipes, duques
Vossa EminênciaV.Emª.cardeais
Vossa ExcelênciaV.Exª.altas autoridades em geral
Vossa MagnificênciaV.Magª.reitores de universidades
Vossa ReverendíssimaV.Revmasacerdotes em geral
Vossa SantidadeV.S.papas
Vossa SenhoriaV.Sª.funcionários graduados
Vossa MajestadeV.M.reis, imperadores
Morfologia verbal
Tipos
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Os verbos são divididos em três conjugações, identificadas pela terminação dos infinitivos, -ar, -er, -ir (e -or, remanescente no único verbo, pôr, juntamente com seus compostos. este verbo pertence, todavia, à conjugação de infinitivos terminados em -er, pois tem origem no latim poner, evoluindo para poer e pôr). A maioria dos verbos terminam em ar, tais como cantar. De uma forma geral, os verbos com a mesma terminação seguem o mesmo padrão de conjugação. Porém, são abundantes os verbos irregulares e alguns chegam a ser até mesmo anômalos: ir, ser, saber, pôr
e seus derivados apor, opor, compor, dispor, supor, propor, decompor, recompor, repor, sobrepor, transpor e antepor.
Tempos e aspectos
Há, no português, três tempos e diversos aspectos, a saber:
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Presente, que exprime ações frequentes ou corriqueiras.
-
Pretérito, exprimindo ações terminadas no passado, sendo dividido em:
-
Pretérito imperfeito, ações inacabadas;
-
Pretérito perfeito, ações acabadas;
-
Préterito mais-que-perfeito, ação anterior a uma já acabada;
-
-
Futuro, que exprime ações pontuais que ocorrerão no futuro, sendo divididos em:
-
Futuro do presente, ações que serão executadas;
-
Futuro do pretérito, ações que poderiam ser executadas.
-
Na língua portuguesa, os verbos são divididos em seis modos, de acordo com o que exprimem:
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Indicativo, para exprimir fatos tidos como certos (certeza);
-
Conjuntivo ou subjuntivo, para exprimir suposições (possibilidade);
-
Imperativo, para exprimir instruções (ordem, pedido, conselho);
-
Condicional, para exprimir condições (normalmente, tendo como base suposições);
-
Infinitivo, formas verbais que não exprimem nada autónomos, sendo dividido em:
-
Infinitivo pessoal, em que cada forma corresponde a uma pessoa;
-
Infinitivo impessoal, em que a forma dá nome ao seu verbo;
-
-
Formas nominais, sendo estas o gerúndio, muito utilizado na conjugação perifrástica. Participio passado ou Adjectivo verbal, utilizada para tempos compostos e para a voz passiva, e infinitivo impessoal.
Conjugação perifrástica
A conjugação perifrástica refere-se a não-tempos — chamemos-lhe assim porque, embora esteja gramaticalmente correcto utilizar qualquer uma das formas abaixo, estas não são tempos verbais na nossa gramática.
Podemos utilizar a conjugação perifrástica para exprimir os seguintes sentidos:[1]
-
Necessidade - ter de + infinitivo (ex.: Eu tenho de melhorar a Wikipédia.);
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Certeza - haver de + infinitivo (ex.: Hei de[2] conseguir melhorar.);
-
Intenção - estar para + infinitivo (ex.: Estou para melhorar.) ou estar prestes a + infinitivo (ex.: Estou prestes a melhorar.);
-
Realização futura - verbo ir no presente do indicativo + infinitivo do verbo principal (ex.: Vou ler o artigo sobre a Língua Portuguesa na Wikipédia.)
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Realização próxima - verbo estar no presente do indicativo + a + infinitivo (ex.: Estou a editar a Wikipédia.) ou verbo estar no presente do indicativo + gerúndio (ex.: Estou editando a Wikipédia.)
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Realização gradual - verbo ir no presente do indicativo + gerúndio (ex.: Vou editando a Wikipédia.)
-
Acontecimento simultâneo(1) - verbo ir no pretérito imperfeito do indicativo + a + infinitivo (ex.: Ia a rever a Wikipédia quando recebi uma mensagem de correio eletrónico.)
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Acontecimento simultâneo(2) - verbo estar no pretérito imperfeito do indicativo + a + infinitivo (ex.:"Estava a rever a Wikipédia quando recebi uma mensagem de correio eletrónico.")
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Probabilidade ou dever - verbo dever no presente do indicativo + infinitivo (ex.: Devo propor aquele artigo para destaque.)
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Aconselhamento ou reflexão - verbo dever no pretérito imperfeito do indicativo + infinitivo (ex.: Devias ter proposto aquele artigo para destaque.) ou verbo dever no futuro do pretérito do indicativo + infinitivo (ex.: Deverias ter proposto aquele artigo para destaque.)
Voz passiva
Comparem-se as frases:
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1) Camões escreveu Os Lusíadas.
-
2) Os Lusíadas foram escritos por Camões.
As frases 1) e 2) descrevem a mesma situação mas apresentam uma diferença a nível sintáctico. De acordo com a tradição gramatical greco-latina, em 1) o verbo está na voz activa e em 2), na voz passiva. O objecto directo de 1), "Os Lusíadas", passa a sujeito em 2), enquanto o sujeito de 1), "Camões", passa a agente da passiva em 2): "por Camões".
Na voz passiva, o verbo principal está no particípio passado, concordando em género e número com o sujeito, e tem como auxiliar o verbo "ser". Ainda de acordo com a gramática tradicional, existe um segundo tipo de construção passiva, expressa pelo pronome apassivador "se" e com o verbo na voz activa na terceira pessoa, de que é exemplo 3), e a voz reflexiva, com o verbo na voz activa e os pronomes oblíquos "me", "te", "se", "nos", "vos", tal como em 4).
-
3) Não se vê [= é vista] uma nuvem no céu.
-
4) Feri-me ao cortar o pão.
Actualmente propõe-se uma nova terminologia para estas construções.
A construção passiva exemplificada em 2) é denominada passiva sintáctica ou perifrástica (Mateus et al., 03) ou passiva sintáctica (Peres et al., 95), enquanto 3) é denominada passiva de -se (Mateus et al., 03) ou passiva de clítico (Peres et al., 95).
A Gramática da Língua Portuguesa (Mateus et al., 03) faz a distinção entre passivas pessoais, onde o sujeito ocorre antes do verbo, e passivas impessoais, onde o verbo ocorre antes do sujeito:
-
5) As praias foram destruídas pelo maremoto.
-
6) Foram destruídas muitas praias pelo maremoto.
Nas passivas impessoais, o sujeito é geralmente uma expressão indefinida, sendo tal aqui expresso por “muitas”. Estes autores referem ainda as passivas adjectivais, construídas com auxiliares como estar, ficar, andar:
-
7) As praias ficaram destruídas.
-
8) As praias estão destruídas.
Tenha em conta que a voz passiva só pode ser feita com verbos transitivos (verbos que seleccionam complemento, como por exemplo comer, ler, amar, abrir) e não com verbos intransitivos (verbos que não seleccionam complemento, como por exemplo correr, rir, andar).[3]
Uso coloquial
Na forma coloquial da língua há particularidades na conjugação verbal que ocorrem na conversação, mesmo entre aqueles com mais estudo. Isso não se manifesta, porém, na forma um pouco mais erudita quando escrita.
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O futuro simples é sempre substituído pela forma composta com o verbo auxiliar IR no presente do indicativo + o infinitivo do verbo: dificilmente alguém fala eu farei, diz-se sempre eu vou fazer;
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O pretérito mais-que-perfeito simples é sempre substituído pela forma composta com o verbo auxiliar "ter" (não "haver") no pretérito imperfeito do indicativo + o particípio passado do verbo: Dificilmente alguém fala eu fizera, diz-se eu tinha feito. Quase não se fala também eu havia feito quando na conversação coloquial.como linguagem formal ou informal com girias e etc...
Numa forma mais coloquial, principalmente entre os menos letrados, usa-se muito o pretérito imperfeito como se fosse o futuro do pretérito (condicional): Em lugar de em seu lugar, eu agiria de outra forma, diz-se em seu lugar eu agia de outra forma[4];
Morfologia nominal
Todos os substantivos portugueses apresentam dois gêneros: masculino ou inclusivo e feminino ou exclusivo. Muitos adjetivos e pronomes, e todos os artigos, indicam o gênero dos substantivos a que eles se referem. O gênero feminino em adjetivos é formado de modo diferente dos substantivos. Muitos adjetivos terminados em consoante permanecem inalterados: "homem superior", "mulher superior", da mesma forma os adjetivos terminados em "e": "homem forte", "mulher forte". Fora isso, o substantivo e o adjetivo devem sempre estar em concordância: "homem alto", "mulher alta".
O grau dos substantivos é, de uma forma genérica, representado pelos sufixos "-ão, -ona" para o aumentativo e "-inho, -inha" para o diminutivo, ainda que haja numerosas variações para representar esses graus.
Os adjetivos podem ser empregados em forma comparativa ou superlativa. A forma comparativa é representada pelos advérbios "mais…que", "menos…que" e "tanto…quanto" (ou "como"), e a forma superlativa é representada pelas locuções "o mais" ou "o menos". Para representar o superlativo absoluto, pode-se ainda acrescentar os sufixos "-íssimo, -íssima" (alguns adjetivos, no entanto, fazem o superlativo absoluto com a terminação "-érrimo, -érrima", ou "-ílimo", "-ílima").
Os substantivos vêm geralmente acompanhados de um numeral, pronome ou artigo, assumindo variações de acordo com as funções sintáticas, a saber:
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Nominativo (sujeito ou objeto direto): a, o, este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo;
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Genitivo (adjunto adnominal de posse): da, do, deste, desta, disto, desse, dessa, disso, daquele, daquela, daquilo;
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Locativo (adjunto adverbial de lugar): na, no, neste, nesta, nisto, nesse, nessa, nisso, naquele, naquela, naquilo;
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Dativo (objeto indireto): à, ao, àquele, àquela, àquilo (a preposição não se funde com os demais demonstrativos).
Os advérbios podem ser formados pelo feminino dos adjetivos, com o acréscimo do sufixo "-mente", por exemplo: certo = cert(a)mente.





